Inter bate o Aimoré no Gigante da Beira-Rio e fatura o tri do Gauchão de Juniores

Buenas!

Acostumado com as mais acanhadas canchas interior afora, O Cancheiro reservou a manhã desse sábado para colocar um estádio de Copa do Mundo na listinha. Fizemos um bate-e-volta rumo ao Gigante da Beira-Rio para acompanhar a gurizada do Aimoré em mais um baita desafio: buscar o tricampeonato de juniores, contra o Internacional.

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O Celeiro de Ases, treinado pelo promissor Ricardo Cobalchini, foi para a decisão com: Luiz Felipe; Leandro Córdova, Gabriel Mentz, Roberto e Eduardo; João Pedro, Ramon, Goiano e Ramiro; Pedro Lucas e Luís Felipe. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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O Índio Capilé, do ex-Inter Arilson Costa, adentrou o Gigante com: Tales; Juan, Vini Alemão, Darlan e Filipe; Port, Ruan, Wesley e Domênico; Léo e Gean. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Daniel Noronha foi o juiz da partida. Conrado Bittencourt Berger e Artur Avelino Birk. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Colorado e Índio, apesar de não ocuparem o mesmo patamar no profissional, são velhos conhecidos quando o assunto é a base. Não era decorrida nem uma semana desse ano de 2017 e ambos já estavam se enfrentando, lá em São José dos Campos, pela Copa São Paulo de Juniores.

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Era a primeira vez que muitos desses guris passavam por esse túnel. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Desde que teve suas categorias de base terceirizadas, o clube de São Leopoldo coleciona façanhas. A primeira, em 2015, foi o título da Copa FGF Sub-19 – acompanhamos alguns capítulos daquela campanha, como a estreia em Canoas e a final contra o Panambi. No mesmo ano, o Aimoré já havia alcançado as semis do Estadual, quando caiu para o Inter. Em 2016, outras duas quedas nas semifinais: no Estadual em uma traumática eliminação para o Juventude e na Copinha novamente para o Colorado.

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Mais de 100 leopoldenses pegaram a BR 116 rumo à Capital para acompanhar o desfecho de mais uma façanha do Índio Capilé. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

O Inter, aliás, adora complicar a vida do Índio Capilé. Além daquela vitória lá em janeiro, o Celeiro de Ases ainda aplicou 4 a 0 no Aimoré na fase classificatória desse Gauchão. Apesar disso, a equipe teve um desempenho mediano e terminou na quarta posição. Em sexto, o Aimoré teve ainda mais trabalho para se classificar. Foi nos mata-matas que ambos mostraram suas forças: o Inter deixou para trás Juventude e o até então dono da melhor campanha São José, e o Aimoré eliminou Grêmio e Ypiranga.

Ao contrário de quando duelou com o Tricolor no Cristo Rei, contra o Inter o Aimoré não conseguiu segurar um bom resultado e acabou sendo derrotado por 2 a 1. Com o famigerado gol qualificado, a vida dos guris do Índio se mostrava ainda mais complicada para o duelo decisivo: em pleno Beira-Rio, eles teriam que fazer, no mínimo, dois gols e, claro, não sofrer nenhum.

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É o quarto duelo entre os juniores de Inter e Aimoré. E o retrospecto é 100% favorável ao Colorado. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Mesmo com aquele gigantesco estádio se impondo, a esquadra aimoresista não se intimidou e fez uma belíssima primeira etapa. Apesar de começar em cima e finalizar duas vezes com perigo, aos poucos o Internacional foi dando cancha para o Aimoré, que, no embalo de sua centena de torcedores presentes, foi para cima. Marcando alto, o Índio descolou uma cobrança de lateral no seu campo de ataque; a pelota foi alçada à área, Léo brigou e ela sobrou para Domênico arriscar de primeira, mas o chute carimbou um marcador e a bola se perdeu pela linha de fundo. Na batida do escanteio, Filipe mandou na cabeça de Vini, que subiu mais alto e testou para fora.

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Luiz Felipe dá aquele desvio providencial para mandar para a linha de fundo. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Apesar do melhor momento dos visitantes, o Inter voltou a ter o controle da partida, ficando com a posse de bola e jogando abraçado com o regulamento. Por vezes, até exagerava, partindo para a cera. Os leopoldenses responderam da arquibancada visitante, bradando “timinho” e o já tradicional nesse 2017 “ão, ão, ão, segunda divisão”.

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A catimba colorada se fez presente desde o começo da partida. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Depois de 45 minutos bem iguais, as maiores emoções ficaram reservadas para os descontos. Em dois minutos, o Aimoré pressionou o Colorado, a essa altura cansado, e ficou muito próximo de abrir o placar. Após bela jogada pela esquerda, Juan tentou mandar na área e a defesa do Inter afastou, gerando o primeiro de uma série de três escanteios: no primeiro, Port bateu, a zaga afastou, mas ela sobrou novamente com o volante, que cruzou e Gabriel Mentz apareceu para cortar; depois, ele apenas rolou para Domênico cruzar aberto e Luiz Felipe espalmar para escanteio; do outro lado, Filipe bateu o terceiro tiro de canto e a bola quase foi diretamente para o gol, mas o arqueiro colorado, ligado, esmurrou para longe, afastando o perigo e, de quebra, dando fim à pressão.

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Port gia sobre o marcador e manda a bola na área. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

A boa postura aimoresista no primeiro tempo acabou não se refletindo no resultado. Mas ainda haviam 45 minutos para buscar os dois tentos. O problema é que, na volta para a segunda etapa, o time voltou um tanto quanto apático. Dominando na meia-cancha, o Inter, numa espécie de 3-4-3, não tardou a pressionar. Luís Felipe – o atacante, não o goleiro – deixou dois marcadores para trás, enfiou para Ramon, que bateu cruzado e Filipe apareceu para cortar para a linha de fundo, tirando tinta do próprio patrimônio. Na cobrança do tiro de canto, Ramiro bateu na altura da marca do pênalti e o zagueirão Gabriel Mentz subiu mais alto para testar para o chão, como manda o figurino, e abrir o placar aos três minutos.

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Gabriel Mentz aproveitou a estatura para tirar o zero do placar. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Logo após o primeiro gol, um grupo de crianças e adolescentes argentinos se juntou à torcida colorada e passou a dar um tom castelhano aos já tradicionais cantos. Eles fazem parte de um projeto de Avellaneda, que carrega os símbolos e as cores do Internacional. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

O Aimoré, depois de largar atrás, continuou seguindo atrás dos dois gols, mas, agora, para levar a decisão apenas aos pênaltis. O time de São Leopoldo ainda contou com uma providencial e gratuita expulsão do zagueiro e capitão Roberto, que, num ato infantil, desferiu uma cotovelada em Léo – o atleta colorado, prontamente arrependido, deixou o campo chorando.

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O Aimoré criou muito pouco na segunda etapa. E, quando criava, a bola não chegava em boas condições de finalização. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Lucas Port, talvez o melhor em campo pelo Aimoré, vai à linha de fundo, observado pelos reservas do Inter. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Mesmo com um homem a mais, o Índio Capilé se abateu e simplesmente não se encontrou em campo. Sem encaixar nenhum jogada, os leopoldenses assistiram o tempo passar, sem reação. Os colorados, mais acostumados às decisões, jogaram com inteligência e seguiram dominando no campo de ataque, deixando a menor pista de que estavam jogando com um a menos. Para coroar a excelente atuação na segunda etapa e soltar o grito de “é campeão”, o Inter chegou ao segundo gol aos 44, após o lateral-direito Leandro Córdova arrancar pelo meio e desferir um balaço de canhota de fora da área, sem chances para Tales.

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A essa altura, até o zagueiro Darlan tinha virado atacante. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Guto Ferreira aproveitou seus últimos dias no Inter a manhã de sábado para espiar a base. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

A vitória selou o tricampeonato do Colorado de Ases Celeiro no Estadual Júnior e mais um capítulo na saga do Internacional como algoz do Aimoré. Desde que passou a ter a chancela da FGF em 1991 e ser disputado regularmente, o Inter é o maior campeão da competição, chegando a marca de doze canecos, cinco a mais que o arquirrival Grêmio.

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Fim de papo. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Tricampeão! (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Elenco, comissão técnica e direção das categorias de base, incluindo o coordenador Iarley, responsáveis por mais uma grande conquista na base. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Aimoré já com as medalhas e troféu do mais que honroso vicecampeonato sub-20. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

O Aimoré, bicampeão sub-20 nos anos 80, ficou sem o seu tri, mas voltou para São Leopoldo com mais uma honrosa campanha, tapando de orgulho seus fieis torcedores que foram à Capital, e com a vaga garantida na Copa São Paulo de Juniores do ano que vem – e lá vai O Cancheiro, novamente, atrás do bravo Índio Capilé!

Mais fotos da decisão

Domingo, já de volta às terras barriga-verdes, deixaremos o glamour das arenas da Copa de lado e voltaremos à nossa realidade de cancha. E já adianto que teremos uma rodada tripla por aqui.

Hasta!

 

 

 

2 comentários sobre “Inter bate o Aimoré no Gigante da Beira-Rio e fatura o tri do Gauchão de Juniores

  1. […] Depois de fazer história em sua primeira participação e alçar o nome do Aimoré a vôos jamais antes alcançados, a gurizada capilé não se contentou e foi atrás de mais. Se em 2017 a vaga veio após ter batido na trave nas semis do Gauchão Júnior 2016, nesse ano o Aimoré se credenciou ao principal torneio de base do Brasil por ter ido além e chegado à decisão do estadual, quando acabou sucumbindo à força do seu algoz Internacional em pleno Beira-Rio – O Cancheiro esteve lá. […]

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