Buenas!
Como já virou tradição, cá estamos nós no Norte de Santa Catarina para mais um Estadual de Amadores. Desde que o blog começou suas atividades, não perdemos uma só edição do principal e mais charmoso torneio do futebol não-profissional catarinense. Ao contrário das últimas duas edições, quando nos aventuramos por cidades menores e alternativas, a sede de 2017 foi Joinville, o maior município do Estado.
Com o número de cinco equipes, não restou outra alternativa aos organizadores se não repetir o péssimo formato da edição de 2015, quando houve uma preliminar antes das semifinais, decidida através de sorteio. Assim como aconteceu lá no Oeste, dois anos atrás, os azarados da vez foram os anfitriões, nessa caso o tradicional América, e os representantes da Capital, o Náutico.



Com retrospectos quase perfeitos nesse 2017, América e Náutico fizeram uma abertura à altura da competição. O Galo Rubro chegou até aqui, na busca pelo tri, através do título da Copa Norte, conquistado com sobras. Também com uma certa tranquilidade, o time do Santinho levou o bi da Copa Interligas da Grande Floripa e ganhou o direito de disputar o Estadual pela segunda vez.

Em sua única participação, o Náutico fez uma verdadeira epopeia no Oeste do Estado, eliminando os anfitriões do Cometa, mas perdendo na final para o Olaria, de Xanxerê. O América, com uma história de dar inveja à grande maioria dos clubes de Santa Catarina, além de pentacampeão catarinense profissional, também já conquistou o Estadual de Amadores por duas oportunidades, mas há mais de 20 anos vem batendo na trave na busca pelo tri.

Buscando quebrar o tabu sob seus domínios, o time da casa logo se abriu e deu espaço para um primeiro contragolpe do Náutico. Aos dois, Fillipy escapou pela direita, com todo o espaço do mundo, mas finalizou por cima, tirando tinta do travessão. Como resposta, Lima recebeu ótima bola enfiada e ficou cara a cara com Gabriel – dali, o maior artilheiro da história do JEC não costuma perdoar -, mas o arremate saiu com um excesso de preciosismo e beliscou o pé da trave; no rebote, Kiko igualmente tentou deslocar o goleiro e mandou exatamente no mesmo lugar.


Passado o ímpeto inicial, as duas equipes acertaram a marcação e o jogo ficou restrito mais à meia-cancha, com poucas escapadas de ambos os lados. Assim persistiu a primeira etapa até o fulminante ataque do Náutico encaixar duas boas jogadas e abrir uma senhora vantagem. Aos 39, Fillipy recebeu lançamento em profundidade de Maicon Ermo e só teve o trabalho de dar um leve toque para deslocar Bambam e mandar para as redes. Quatro minutos depois, em cobrança curta de escanteio, Ramon Fraga mandou na medida para Renan cabecear na pequena área e guardar.

O desastroso primeiro tempo dos mandantes parecia um prenúncio de uma nova e traumática eliminação em casa – seria a quarta em quatro jogos do América no blog. No intervalo, entretanto, Benson promoveu uma troca quádrupla na sua equipe. Além das mudanças nos nomes, a postura do time também foi completamente diferente. A entrada mais sentida positivamente foi a de Rafael Carioca. Aos três minutos, ele já mandou uma falta no ângulo, mas Gabriel foi lá buscar. No lance seguinte, ele bateu escanteio na cabeça de Alceni, que foi bloqueado.

Aos cinco, Alceni novamente teve liberdade na área e não perdoou: Marcão mandou na área e o zagueirão subiu mais alto para cabecear consciente no cantinho. Se a vantagem do Náutico foi construída em pouco tempo, o América foi ainda mais rápido em desmanchá-la. Três minutos após abrir o placar, Alceni novamente brigou na área e, depois de um bate-rebate, a pelota ficou viva e se ofereceu para Lima, ao seu estilo matador, empatar a peleia.


O Náutico só reagiu aos 15, quando teve sua primeira chance: Fillipy, ainda com espaço pelos flancos, bateu cruzado e tirou tinta da trave. Do outro lado, o América seguiu com o pé na acelerador e Leandrinho, em chute colocado de fora da área, quase ampliou. A pressão americana rendeu, aos 19, uma penalidade boba cometida por Vini, que matou no peito, acabou deixando Lima tomar a sua frente e o derrubou com um carrinho; na cobrança, o próprio centroavante concretizou a virada.

O filme de terror vivido pelos florianopolitanos prosseguiu. Aos 22, Kiko bateu na saída de Gabriel e acertou o poste. Dois minutos depois, o mesmo Kiko arriscou de fora da área e, dessa vez, mandou lá no cantinho, ampliando a contagem e dando contornos semelhantes à virada épica do Lanús, durante a semana, pela semifinal da Libertadores. O meia-atacante, ex-Joinville e Brusque, ainda quase fez mais um, em jogada de Rafael Carioca.

O ritmo acelerado da segunda etapa aos poucos foi decaindo e o placar já parecia fechado. Até o árbitro Leandro Messina Perrone, segundo a comissão técnica do Náutico, teria afirmado que “não dava mais”. Ainda acreditando, os visitantes chegaram ao terceiro faltando dois minutos para o fim do tempo regulamentar, quando Dudu enfiou para Maurivan deslocar o goleiro.

Com cinco minutos de acréscimos para buscar o empate, o time do Santinho se jogou ao ataque e acabou dando espaço para Leandrinho, já aos 50, escapar pela direita e tirar do alcance de Gabriel – não perca as contas, a essa altura o placar já apontava 5 a 3 para o time da casa. Mas quem disse que o Náutico se entregaria? Já na saída do círculo central, após apenas dois toques, a bola chegou em Renan, na cara do gol, que bateu alto e diminuiu.


Aí umas sucessão de enrolações, tanto por parte dos locais, quanto por parte da arbitragem, praticamente não deixou a bola rolar e comeu todo o já escasso tempo para mais uma reação do Náutico. O time do Santinho, mesmo com a eliminação, deixa o Norte do Estado e retorna ao Norte da Ilha de cabeça erguida.
Mais fotos da peleia
Os donos da casa, por sua vez, seguem adiante no torneio e já têm um confronto para lá de histórico na sequência. O adversário nas semifinais será o Carlos Renaux, outra lendária esquadra outrora profissional. O duelo, daqueles que costumam morar apenas na nossa imaginação, reeditará as finais dos Catarinenses de 1952 e 53.
Amanhã, ainda, Cometa e Metropolitano fazem a outra semifinal. O Cancheiro, obviamente, estará de volta à cancha do Galo para conferir todos os lances que definirão os dois finalistas.
Siga acompanhando e até logo!
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