Novato Maracajá bate o lendário Itaúna na prorrogação e garante vaga na final da Segundona da LARM

Mas que tal!

Já mais do que tardia, a estreia do blog no Sul do Estado em 2017 finalmente ocorreu no último sábado. E foi uma estreia repleta de novidades. A começar pelo destino, a pequena Maracajá, de 6 mil habitantes, que sempre cruzava de passagem pela BR-101, mas nunca havia parado para entrar e conhecer o quão simpático é o município. Por lá, duas geniais agremiações, igualmente nunca vistas por aqui, adentraram o gramado do Complexo Esportivo Antônio da Rocha: Maracajá e Itaúna.

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O Maracajá foi a campo com: Fera; Zé Augusto, Jô, Jackson e Jonas (Diego Alves); Santino (Diogo Beretta), Bruninho (Davi), Edinei (Diego Beretta) e Dieguinho; Luís Henrique (Tiago) e Marcelo Silva (Higor). (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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O Itaúna veio de Siderópolis com: Betão; Elivelton, Bruno, Piauí e Luís (Schauc); Henrique (Carlos Bezerra), João, Glébson e Carlos Araújo; Guilherme (João Marcos) e Lucas Gomes. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Ramon Abatti Abel, da FCF, comandou o duelo, auxiliado por Guilherme Costa e Edenilson Floriano. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Os dois clubes, aliás, de semelhança só têm o objetivo em comum: chegar às finais da Segundona do Regional da LARM. De um lado, a novata Associação Atlética Maracajá, o clássico caso de time de prefeitura, que estreou em competições oficiais em 2017. Do outro, o lendário Itaúna Atlético Clube, octacampeão regional da LARM e com uma participação em Campeonato Catarinense, mas que não vem bem nas pernas nas últimas décadas.

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O Cancheiro chegou cedo ao Complexo Esportivo Antônio da Rocha, a tempo de ver o Itaúna eliminar o Maracajá no Regional Juvenil. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Dentro de campo escretes igualmente diferentes. O Maraca, já mirando o acesso em seu ano de estreia, montou uma esquadra experiente, com jogadores que têm cancha pelo certames da região. O Itaúna, por sua vez, apostou em um parceria com um projeto de captação de atletas e conta com um elenco majoritariamente sub-20, composto por jogadores de todo o Brasil – especialmente do Nordeste – que vieram para Siderópolis atrás do sonho de se tornarem profissionais.

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Enquanto os atletas do juvenil comemoravam a classificação na preliminar, o simpático cusco foi até o banco de reservas e surrupiou uma caneleira. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Na atual edição, a Segundona contou com uma primeira fase de tiro curtíssimo. Maraca e Itaúna jogaram apenas quatro vezes e somaram cinco pontos. No confronto direto, válido pela última rodada, deu empate e ambos terminaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente. Assim, já voltaram a se encontrar no jogo de ida das semis, pelo qual o Maracajá saiu com um excelente triunfo de Siderópolis.

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E o guaipeca estava mesmo disposto a roubar a cena. Foi só a bola rolar para o jogo principal que ele decidiu dar uma voltinha pelo gramado. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Mesmo após ser conduzido coercitivamente para o lado de fora do campo, ele achou uma brecha e deu um jeito de retornar. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Necessitando da vitória para ao menos levar a decisão para a prorrogação, a gurizada do Itaúna começou em cima, pouco se importando com o fato de ser visitante. O primeiro arremate perigoso, de João, aos 10 minutos, foi espalmado pelo arqueiro Fera. Aos 17, porém, o fera nada pode fazer quando Lucas Gomes roubou a bola no ataque, bateu cruzado no pé da trave e Carlos Araújo, mesmo sem ângulo, aproveitou o rebote para abrir o placar.

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Mesmo sem ângulo, o camisa 10 conseguiu rolar a pelota pro barbante. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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E correu para o abraço. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

O placar construído logo no começo fez os cautelosos visitantes recuarem. Assim, o Maraca foi ganhando espaço. Aos 25, Dieguinho matou uma bola no peito e pegou na veia, obrigando Betão a salvar com a ponta dos dedos. Mesmo com o treinador cobrando uma postura igual nos 90 minutos, o Itaúna não conseguia repetir o ímpeto inicial e só observava os locais levarem perigo. Dieguinho, em três oportunidades de bola parada, voltou a dar trabalho para Betão – na última, já nos acréscimos da primeira etapa, o goleirão queimou roupa e Marcelo inacreditavelmente conseguiu isolar o rebote.

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Dieguinho pegou em cheio e quase empatou. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Chegou a subir poeira nessa confusão na pequena área que quase rendeu o empate aos mandantes. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Passado os quinze minutos de intervalo, pouca coisa mudou dentro das quatro linhas. A pressão do time da casa, inclusive, aumentou. Logo aos 2, Marcelo tirou tinta do poste em uma cobrança de falta. Sete minutos depois, após cobrança de escanteio, Jackson escorou para Bruninho testar de frente para o gol e Betão salvar na base do reflexo. Mais sete minutos se passaram e, em novo tiro de canto, Jackson subiu mais alto novamente e, dessa vez, mandou direto para o gol, mas a bola caprichosamente beijou o travessão e saiu. Parecia questão de tempo para o empate.

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Betão vai no segundo andar para acabar com o perigo mais um vez. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Expulso ainda na primeira etapa, o treinador do Itaúna seguiu comandando a equipe do alto – isso até se desentender com o auxiliar e se assentar sob uma sombra no barranco. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Só que o tempo foi passando. E nada do Maraca transformar a pressão em bola na rede. Do outro lado, os guris do Itaúna aos poucos foram se soltando e buscando os contra-ataques. Aos 25, Schauc escapou pela direita e enfiou para Carlos Araújo, na cara do gol, persistir e, após duas tentativas de finalização, mandar a bola no alto, sem chances para Fera, e ampliar a contagem. O Itaúna realmente passou a gostar do jogo e quase teve perna para mais, mas Elivelton mandou por cima a chance do terceiro.

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Foi o Itaúna começar a gostar do jogo que o segundo tento saiu. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Que classe! (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Se a vitória pelo placar mínimo já era boa, os 2 a 0 e a virada no placar agregado se tornaram ainda melhor, visto que a vantagem do empate na prorrogação, que era do Maracajá, pela melhor campanha, passou para as mãos do Itaúna. Os locais, entretanto, não desistiram e correram atrás de ao menos tentar diminuir o estrago. Por mais que tentasse, a retranca e a obediência tática dos visitantes não davam espaços. Só no último lance do jogo que o Maraca chegou a assustar, quando, após um bate-rebate na área, a bola ficou viva e Higor se jogou nela para finalizar, mas a defesa conseguiu afastar sobre a linha.

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E lá fomos nós para a QUINTA prorrogação nos últimos seis jogos cobertos pelo blog. Somados, já foram 150 minutos só de tempo extra em menos de um mês. Antes disso, curiosamente, havíamos relatado apenas uma prorrogação em mais de 100 jogos pelo blog. Daqui a pouco vou começar a cobrar hora extra. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Com o primeiro objetivo conquistado com maestria, o Itaúna foi para o tempo extra com a vantagem do empate no colo. O problema é que a jovem equipe acabou sentindo o cansaço dos mais de 90 minutos disputados e já não marcava mais com a mesma intensidade. Aos 10, depois de uma boa troca de passes, Higor teve espaço na entrada da área e mandou colocado, na parede da rede, daqueles chutes inalcançáveis para o goleiro, e abriu o placar na prorrogação.

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A comissão técnica não se conteve e invadiu o gramado para comemorar o gol até então da classificação. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Do lado de fora, a torcida maracajaense já comemorava a inédita vaga na final. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

A classificação, depois de quase 90 minutos, finalmente havia voltado para o colo do Maracajá. Na base do tudo ou nada, o Itaúna foi para o ataque nos quinze minutos finais e deu espaços para o experiente escrete local matar a disputa. Faltando dez minutos, Bruninho nem precisou saltar para cabecear no meio da zaga e deslocar Betão. Cinco minutos depois, Diogo Beretta bateu colocado da entrada da área e lacrou a tampa do caixão: 3 a 0 para o mais do que classificado Maracajá.

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A festa pela virada épica foi tamanha que o alambrado do Complexo Esportivo não suportou. Também pudera, pela primeira vez os maracajaenses tinham um time para torcer a nível regional e, de quebra, já chegaram na final em seu primeiro ano. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Mais fotos da semifinal (a galeria completa estará na nossa página no Facebook. Curte lá e fique ligado!)

A entrega da jovem e humilde equipe de Siderópolis não foi capaz de bater a experiência dos locais e, para a tristeza dos mais saudosistas, não teremos o prazer de ver o lendário Itaúna brigar pelo nono caneco da LARM no ano que vem. Quem ficou mais perto da elite, pelo contrário, foi a novidade. O Maracajá, debutando nas competições da LARM, já chega à final embalado por uma épica classificação.

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O semblante dos atletas após a eliminação evidenciou não só a profunda tristeza, como também a humildade do elenco do Itaúna. A gurizada ficou muito perto de fazer história, mas não foi por falta de garra que a vaga não veio. Como o auxiliar Tita lembrou, com poucos recursos, eles precisam matar um leão por dia na luta para alcançar seus sonhos – e ainda há quem defenda a meritocracia no futebol. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

O adversário na briga direta pela primeira divisão também tem história e é casca dura para os novatos. O Rui Barbosa, campeão estadual amador em 2014, acabou fazendo uma primeira fase irregular, mas mostrou sua força nas semifinais, após massacrar o São Martinho sob seus domínios e também garantir a vaga na final através da prorrogação.

O segundo jogo, daqui a três sábados, será em Maracajá. Se tudo der certo e conseguirmos achar uma brecha nessa agenda de decisões, O Cancheiro voltará ao simpaticíssimo município sulista. Antes disso, nada menos do que um Estadual Amador já se avizinha e lá vamos nós para Joinville.

Fique ligado e até a próxima!

Um abraço!

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