Diante de uma festa sensacional, Capim Maluco vence o Fogo na Bomba e ergue o troféu da Especial pela primeira vez

Salve, salve!

Em mais uma passagem por São Paulo, O Cancheiro não poderia regressar sem conferir ao menos uma peleja. Depois de abreviar a visita ao encontro de colecionadores no Pacaembu, tomamos rumo a Guarulhos para aquela que já é a cobertura mais aleatória – e, nas mesmas proporções, genial – em dois anos de blog. Ao lado do Lago dos Patos, FOGO NA BOMBA e CAPIM MALUCO adentraram o sintético do Estádio Cícero Miranda para duelar pelo caneco da Divisão Especial.

Fogo na Bomba Futebol e Samba
O Fogo na Bomba, comandado por Eduardo Bruno Staut, o Du, adentrou o campo com: Borges; Caio (Duílio), Alemão, Boi e Willians; Ferradura, Romerito e Diego Lameira (Pezão); Zambia, Mota e Mosquito. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Capim Maluco Futebol Clube
O Capim Maluco, do técnico Cláudio Soares, o Dinho, jogou a decisão com: Gustavo; Kleber, Fabinho, Jeremias e Walter; Tutu, Henrique e Neizinho; Higo, Rogerinho (Dedeu) e Roberto (Zá). (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Os nomes dos times em caixa alta não é à toa. Criatividade – e sugestividade – foi o que não faltou para ambos. Em tempos de equipes genéricas ou com nomes non-sense – vide varzeanos como “Bar Sem Lona” ou “Galáticos” -, a final guarulhense foi um colírio para os olhos dos adeptos das alternatividades no futebol. Aliás, várzea é o que passa bem longe desse duelo, já que marcou a decisão do mais importante certame de Guarulhos, cidade que, nos últimos anos, vem logrando um protagonismo no futebol amador em nível federado.

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De um lado, a torcida da Vila Sabatina. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Do outro, os adeptos do Fogo na Bomba. Ambos com muita cor, tirantes e fumaça, coisa rara no profissional hoje em dia – acho que não preciso nem entrar no mérito dos reais motivos da proibição das festas nas arquibancadas. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

É da cidade do Aeroporto de Cumbica, por exemplo, o único paulista campeão do Torneio Sul-Brasileiro na história. O Vasco do Jardim Paraíso, em sua passagem meteórica de seis anos pelo futebol guarulhense, copou simplesmente tudo o que tinha ao seu alcance. Para quem não lembra, ou não acompanhava, o blog esteve presente na conquista desse título nacional, que ficou marcado como um dos últimos capítulos da história sensacional da equipe. Após desbancar os times do Sul, o Vasco encerrou as atividades.

Muito provavelmente a façanha do time do Jardim Paraíso serviu de inspiração para Fogo na Bomba e Capim Maluco. Igualmente novas no cenário, as equipes vêm de um recente acesso à elite, onde se enfrentaram na final da Primeira Divisão – segunda, na prática – e deu Capim. Mesmo como novidades, os dois times chegaram invictos à final.

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Capim Maluco adentrando o sintético da Vila Galvão. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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A fumaça até encobriu a entrada do Fogo na Bomba, (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

O clima que pairava sobre a praça esportiva da Vila Galvão compensou toda a medonha tarde garoenta de sábado. Ao chegar no Lago dos Patos, já foi possível avistar o gramado do Cícero Miranda, estádio que já era um dos objetivos do desde sua aparição no Jogos Perdidos, há quase dez anos. Com a arquibancada lotada, embalada a muito samba e a cânticos de ambas torcidas, até o atraso de uma hora e meia para o pontapé inicial ficou em segundo plano.

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Esquadras perfiladas para o Hino Nacional, devidamente não respeitado. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Quando a bola enfim desfilou sobre o tapete, o que se viu foi um jogo muito veloz, mas bastante truncado e carente de criatividade de ambos os lados. Jogando no 4-3-3 tradicional, Fogo e Capim praticamente se anulavam em campo. Tanto é que só foi registrada uma chance clara de gol para cado lado: aos 15, Rogerinho cobrou uma falta no alto, mas Borges espalmou; já próximo ao intervalo, Boi cabeceou entre dois marcadores, mas a bola foi desviada.

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Pouca emoção no primeiro tempo. Aqui, os dois jogadores do Fogo já se encontravam posição irregular. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Após o intervalo, pouca coisa mudou. Enquanto as torcidas faziam sua parte, mesmo embaixo de uma garoa cada vez mais forte, os times seguiam sem conseguir colocar a bola no chão. Até que, quando a chuva enfim caiu, ela veio para apagar de vez o Fogo na Bomba. Aos 24, após uma saída errada do time aurinegro, Higo pegou pela direita, foi cortando para dentro até ter condição para finalizar; o chute saiu meio mascado, mas o suficiente para fazer a bola morrer lá no cantinho, de forma inalcançável para o arqueiro Borges.

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O atacante escalou o alambrado na comemoração. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Era a fagulha que faltava para o jogo finalmente pegar fogo. Já no lance seguinte, Mota subiu sozinho para cabecear, e quase empatou. Aos 30, Pezão deixou o banco de reservas para entrar com tudo: em seu primeiro toque, ele recebeu pelo meio da cancha, foi para dentro da marcação, mas bateu no meio do gol, facilitando a vida do goleiro Gustavo. Pouco depois, Pezão teve nova chance, dessa vez após cruzamento de Romerito, mas testou por sobre a meta.

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Bola na área para ver se o Fogo descolava o empate. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

A pressão do Fogo na Bomba, aliada à torcida cada vez mais inflamada, esquentou ainda mais os últimos minutos. Em um lance inacreditável, após cobrança de escanteio, Henrique salvou em cima da linha o que seria o gol de empate; no rebote, Romerito pegou de primeira, da entrada da área, mas a bola explodiu na marcação e, após um bate e rebate insano, voltou para o próprio Romerito chuveirar na área e a defesa enfim afastar a bronca, findando o bombardeio do Fogo. No contra-ataque, Neizinho serviu Higo, em totais condições de ampliar e colocar as duas mãos na taça, mas a finalização de cavadinha passou raspando a trave direita.

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Faltava muito pouco para essa maravilhosa torcida soltar o grito de campeão. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

A chance desperdiçada acabou nem fazendo falta, pois logo depois veio o apito final do árbitro, dando início a uma grande festa. Não faço a menor ideia de quando ela terminou, visto que, segundo um membro da comissão técnico do Capim, os festejos do título do ano passado duraram três dias!

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O treinador Dinho também escalou o alambrado e foi para a galera. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Galeria de fotos do jogo

A festa, que rendeu uma galeria à parte

A galeria completa, com mais de 100 fotos, será postada na nossa página durante a semana. Deixe seu like e fique ligado!

Como finalistas, os dois times tem direito às vagas da ULAFA no Amador do Estado. O Fogo já confirmou, apesar da tabela da FPF não incluir nenhum clube de Guarulhos. Caso joguem, é bem possível que O Cancheiro volte a reencontrá-los, já que o torneio deverá aparecer por aqui em suas fases finais e nas últimas três edições ao menos uma equipe guarulhense chegou às semis.

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Mota foi o artilheiro da Especial. É a segunda vez que ele termina um campeonato com a presença do blog como artilheiro. No Sul-Brasileiro, ele fez três gols em três jogos e terminou empatado com Alan Rodrigues, do Metropolitano de Nova Veneza. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Ao contrário do Sul-Brasileiro, entretanto, Mota não ergueu o caneco de campeão. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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O Fogo na Bomba só conheceu a derrota na decisão. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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No meio da confusão foi impossível fotografar a taça sendo erguida. Fica aí o registro do Capim Maluco com o inédito caneco. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Depois de fazer os devidos registros da comemoração e beber umas junto com os clubes – voltei de transporte público, que fique bem claro -, deixei Guarulhos com o dever cumprido. Foi meu quarto jogo, em minha terceira passagem pela cidade – por incrível e aleatório que pareça, O Cancheiro já conheceu mais estádios de Guarulhos do que aqui das vizinhas São José e Biguaçu somadas (!).

Capim Maluco x Fogo na Bomba51
Já estava esperando o coletivo que me levaria ao metrô, enquanto a torcida do Capim Maluco nem cogitava sentar o pé do gramado. O Cícero Miranda foi o terceiro estádio a aparecer no blog. O do Sindicato dos Metalúrgicos, no Sul-Brasileiro, e o do Flamengo, em uma partida do Avaí na Copinha, foram os outros. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

De volta à Grande Floripa, pretendo dar a atenção devida aos torneios locais e continuar focando no futebol amador – em paralelo, é claro, com a Segundona do Catarinense. Para os leitores de São Paulo, já adianto que logo logo estarei de volta.

Valeu e até uma próxima!

 

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