Em jogo-treino nervoso, mistão do Blumenau fica no empate com o Flórida

Salve!

A tarde de sábado, no Vale do Itajaí, rendeu um daqueles jogos perdidaços, um raro embate profissional vs. amador. Aproveitando a folga na tabela da Série C do Campeonato Catarinense, o Blumenau visitou a Sociedade Flórida, no Bairro Fortaleza, para um jogo-treino. O adversário foi a equipe local, tradicional nas competições amadoras da região.

Sociedade Esportiva Recreativa Flórida
O Flórida disputou o jogo-treino com: Michel (Dida); Rayr, Marcão, Randel (Juliano) e Nafar (Miqueias); Roni, Mailson (Zico), Balotelli e Bruno; Edivaldo (Alex) e Jailton (Alagoas). (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Viton orientando o time que começou jogando: Ednei; Evandro, Jefferson Vottri, Nathan e Baiano; Oliveira, Gabriel, Robson e Marquinhos; Ademir e Jonatha. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Não, não é montagem. O jogo-treino foi realizado sem bandeirinhas. Benício Machado comandou sozinho o duelo. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

É a segunda vez que o blog confere um duelo desse naipe. A outra oportunidade também aconteceu em Blumenau, quando outro time vitorioso nos gramados blumenauenses, o Atlético Itoupava, recebeu o Metropolitano no Estádio Guilherme Jensen. A cancha da Itoupava, aliás, era a única da cidade – fora o Sesi, que recebe partidas profissionais – que havia sido visitada nesses dois anos de blog. Para quebrar esse tabu, saí de Timbó, peguei a sempre caótica BR 470 e, logo que saí da estrada, encontrei o Estádio Edgar Paulo Müller, na Fortaleza Alta.

A equipe do Flórida, pelo contrário, não é novidade por aqui, mas a sua primeira aparição foi recente. Há duas semanas, conferi a eliminação do time blumenauense nas semifinais da Copa Krona, contra o Carlos Renaux, em Brusque. Apesar da derrota, a equipe logrou um honroso quarto lugar na tradicionalíssima competição da Liga Bluemanauense.

A semelhança com o time que entrou em campo nessa tarde, para enfrentar o BEC, em relação ao do Regional, se resumia apenas ao nome e aos uniformes. Todo o elenco, sem exceção, foi modificado. O motivo principal é o novo foco para o qual o time está se preparando: o Campeonato Municipal Não-Federado. O certame, também sob a chancela da LBF, começa já no próximo final de semana.

E o time da casa, a julgar pelo adversário desse amistoso, pensa alto. O Blumenau Esporte Clube, clube mais tradicional da cidade no profissional, vem de um título tranquilo do primeiro turno da Terceirona. Como a tabela da Série C é espelhada, o Tricolor ganhou duas semanas de preparação entre os turnos. Para não perder o ritmo, o BEC fez um jogo-treino contra o Marcílio Dias, quinta-feira – acabou perdendo por 3 a 2, mas, com os titulares em campo, venceu por 2 a 1 – e aproveitou esse confronto com o Flórida para testar outros atletas e colocar uma equipe alternativa em campo.

Enquanto os titulares treinavam no CT, em Gaspar, o time considerado reserva encontrava uma pedreira em Blumenau. Apesar de praticamente não treinarem juntos, os jogadores do Flórida mostraram um excelente entrosamento e jogaram de igual para igual com o adversário profissional. Em determinado momento da primeira etapa, era o time da Fortaleza que ditava o ritmo do jogo e forçava o erro do BEC na saída de jogo, com uma marcação alta e ótimo preparo físico.

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O meia-atacante Robson já apareceu por aqui, lá nos primórdios do blog, quando ele fardava a 10 daquele time copeiro dos juniores do Aimoré e ainda era conhecido como Caixa. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Nas poucas vezes que chegou à meta do arqueiro Michel, os visitantes levaram perigo principalmente em arremates de longa distância: primeiro, em um chute de Marquinhos, depois em cobranças de falta de Robson, espalmada por Michel, e Oliveira, que explodiu no travessão. O time da casa respondeu em um cruzamento de Mailson, antecipado por Jailton, mas a zaga cortou.

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Marquinhos arriscou de longe. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Oliveira bateu falta pela esquerda e mandou no travessão. A trave, aparentemente mais baixa, impediu o golaço. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Findado os zerados primeiros 45 minutos, o técnico Viton sacou toda a equipe principal – que já não era a principal – e colocou um time ainda mais alternativo, composto por alguns jogadores da base e uma novidade no elenco, o zagueiro Giovane. O Flórida, que também mudou algumas peças, não cansou e seguiu dando trabalho à renovada equipe do Blumenau. O jogo, na segunda etapa, ficou mais pegado e, até certo ponto, mais violento, mesmo sendo uma partida amistosa.

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Seguro, Michel segurou o placar zerado na primeira etapa. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Para o segundo tempo, o time do BEC foi completamente diferente: Willian; Ricardinho, Giovane, Pierre e Charlon; Guilherme, Cleison e Carioca; Maikon, Thor e João (Cario). (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

O árbitro, até então sumido na partida, passou a chamar a atenção, amarelando jogadores de ambos os lados. Foi a primeira vez que eu vi cartão em jogo-treino – isso que sequer tinha bandeirinha. Para completar o show, após uma confusão pela direita do ataque visitante, ele ainda expulsou um jogador de cada lado: o atacante João, do BEC, e o Randel, do Flórida. Teve até amarelo por tirar a camiseta em comemoração de gol – mas isso é papo para o parágrafo seguinte.

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No meio da confusão, Benício Machado mostrou dois cartões vermelhos. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Teoricamente, as expulsões contribuiriam para um jogo mais aberto, devido às reduzidas dimensões do campo. Viton não quis saber e colocou o atacante Caio no lugar do expulso João – o Flórida também resgatou um atleta do banco, fechando onze para cada lado. Conhecido por entrar e resolver as partidas da base, o jovem atacante deu outra dinâmica ao ataque do BEC, jogando em velocidade e partindo para cima da marcação. Com a posse de bola, entretanto, foram os anfitriões que dominaram os primeiros 20 minutos, chegando ao gol com Juliano, após cruzamento de Rayr, pela direita.

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Rayr foi à linha de fundo e cruzou na medida para Juliano completar para o gol. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Benício Machado estava realmente querendo mostrar serviço e amarelou o autor do tento do Flórida. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

O resultado, por si só, era sensacional. Não é sempre que uma equipe amadora, mesmo com atletas rodados, como o goleiro Michel, ex-Figueirense, bate de frente com uma profissional e ainda vence. O que estava pesando para o BEC era a falta de entrosamento, com problemas até para sair jogando na defesa. Aos poucos, entretanto, o Tricolor da Alameda foi se encontrando em campo e arranjando triangulações para sair na cara do gol. Em uma delas, Thor tabelou com Maikon e encobriu o goleiro, mas o juiz parou a jogada, aparentemente por impedimento. A questão é que não havia bandeirinha para assinalar tal infração.

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Ricardinho cresceu para cima de Rayr e parou a jogada no carrinho. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Bizarrices a parte, o Blumenau não tardou a encontrar o gol de empate. Thor, em uma cobrança de falta pela direita, mandou na área, ninguém desviou, o goleiro Dida foi engando pelo quique e a bola morreu no fundo das redes. Com mais perna no final do jogo, foi o BEC que pressionou em busca do desempate. Na melhor das oportunidades, Caio fez fila pela esquerda e cruzou para Guilherme, que bateu à esquerda da meta.

Em busca do título do returno e do acesso antecipado, o Blumenau terá uma sequência de quatro jogos decisivos na Terceirona. O primeiro deles é longe de casa, contra o Porto, em União da Vitória, no Paraná. Para uma cidade de médio porte, carente de times vencedores, seria um excelente primeiro passo na retomada que visa alçar o clube, vice-campeão catarinense de 1988, de volta à elite do futebol catarinense.

Com um objetivo muito mais modesto, o Flórida também retorna a campo no próximo final de semana, igualmente “longe” de casa, no Progresso, contra o Canto do Rio. A peleia marcará a estreia no certame municipal, do qual a equipe defende o caneco conquistado no ano passado.

As duas competições, em suas diferentes realidades, certamente pautarão o blog nessas próximas semanas, afinal, como o leitor bem sabe, O Cancheiro não faz qualquer distinção nesse esporte que é de todos. O que importa é bola rolando – mesmo que no mais irregular gramado.

Até!

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