Brusque vence Operário de Mafra e depende apenas de si para voltar à elite

Dale!

O Cancheiro voltou! E para tornar especial esse retorno a Santa Catarina, a reestreia em solo barriga-verde tinha que se dar após uma expedição épica, rumo ao norte do estado. Uma verdadeira epopeia tal qual foi a da estreia do blog, na longínqua Seara. Dessa vez, o destino foi Mafra, separado do Paraná apenas pelo Rio Negro. Lá, na jornada mais setentrional – e sensacional – do blog, o Brusque enfrentou o já eliminado Operário com a obrigação de vencer para voltar à zona de acesso ao Delfinzão 2016.

Trio de arbitragem com os capitães Rogélio, do Brusque, e Rodrigão, do Operário. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Trio de arbitragem com os capitães Rogélio, do Brusque, e Rodrigão, do Operário. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Junto à viatura d’O Cancheiro, estavam os mestres Célio Bruns Jr, o marrequinho, correspondente oficial da página Alambrado Brusque FC e único torcedor brusquense presente lá no planalto, e Matheus Pereira, do Desprovidos de Fama, já citado algumas vezes por aqui, que seguiu a vibe d’O Cancheiro e pegou a estrada.

Estrada. Palavra-chave do percurso genial que tomamos para chegar em Mafra. Partindo de Florianópolis, a viagem se deu por partes. No itinerário, havia uma parada em Brusque, para pegar o Célio, e outra em Timbó, onde a Amanda, A Cancheira, desceu. Como estávamos na Pérola do Vale, o trajeto mais curto para o norte do estado se dava por Doutor Pedrinho. Considerando o aviso de que lá teria um trajeto de estrada de chão, porém curto, seguimos viagem, faceiros por cortar caminho.

Depois de passar por Rodeio, Benedito Novo e Doutor Pedrinho, eis que deixamos o valoroso asfalto e adentramos o areião, rumo à próxima cidade: Itaiópolis. A questão é que tal percurso possui cerca de 80 quilômetros, mais de uma hora com o carro sambando a cada curva mais fechada. Passada algumas quase ciladas, que envolviam caminhões-fantasmas e animais pra lá de esquisitos, e toda aquela tensão, adjetivada como “Rally dos Sertões” e “Rodeio de Barretos” pelo piadista Célio, avistamos a civilização e a sensação de alívio tomou conta do carro: chegaríamos sãos e salvos em Mafra.

Apesar do time estar cumprindo tabela, a torcida compareceu para a despedida do time em casa. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Apesar do time estar cumprindo tabela, a torcida compareceu para a despedida do time em casa. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Contrariando todas as expectativas e brigando com o relógio, conseguimos chegar no Alfredo Herbst exatamente às 20 horas e 30 minutos, horário marcado para a peleia. Detalhe: sob o som do Tema da Vitória, extremamente oportuno para o momento. Após toda a correria, adentramos a cancha durante as execuções dos hinos, dando tempo para fazer a foto oficial com a arbitragem e os capitães – teríamos fotos dos times posados também, se o sempre querido Célio Amorim não considerasse que “estávamos pedindo demais”.

Único torcedor brusquense que copou o Alfredo Herbst
Único torcedor brusquense que copou o Alfredo Herbst

Enfim, o jogo. Quem imaginava um Operário apático e sem muita vontade em campo, afinal eles só estavam cumprindo tabela, se enganou completamente. O time do norte entrou com sangue nos olhos e muita vontade de ganhar, sabe-se lá o porquê – o pessoal de Brusque tem um palpite para tal questionamento, mas deixemos as polêmicas de lado e sigamos com a narrativa dos fatos. Os primeiros minutos foram de um Operário com muita garra e um Brusque, aparentemente, surpreso com tal reação do adversário. Dois chutes perigosos, de Marcelo e Rafinha, assustaram a baita torcida brusquense presente, composta apenas pelo Célio. Em compensação, o Brusque tinha mais posse de bola, mas finalizava mal. Paulinho, por exemplo ficou de frente para a goleira, mas isolou. A entrega dos jogadores mafrenses foi tamanha que, já no intervalo, havia jogador estirado sobre o pasto gramado com cãibras.

O Operário, contrariando as expectativas, jogou com tanta vontade que no intervalo já havia jogador sentindo cãibras. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
O Operário, contrariando as expectativas, jogou com tanta vontade que no intervalo já havia jogador sentindo cãibras. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Como diria Matheus Paraná, na partida contra o Hercílio Luz (confira o relato aqui), tudo para o Brusque é sofrido. E foi assim também na segunda etapa. O alvinegro seguiu dando a vida, enquanto o quadricolor continuava pecando nas finalizações. Até que, aos 21, Flavinho chuveirou a bola na área, Eydison todo atrapalhado tentou cabecear, mas a pelota se ofereceu para Eliomar acertar uma sensacional meia-bicicleta e, de forma redentora, colocar o Brusque na ponta do marcador. O camisa 10, peça chave que faltou no meio-de-campo brusquense no primeiro turno, provou que é decisivo e que a direção deu a cartada certa ao contratá-lo.

Momento em que Eliomar, já endeusado pela torcida, acerta a meia-bicicleta. O lance foi tão rápido que não deu tempo de ajustar as definições da câmera, mas o registro tá guardado. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Momento em que Eliomar, já endeusado pela torcida, acerta a meia-bicicleta. O lance foi tão rápido que não deu tempo de ajustar as definições da câmera, mas o registro tá guardado. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Com o placar finalmente inaugurado, restou ao time do Vale do Itajaí segurar o resultado para poder descer a serra sabendo que dependia apenas de si para subir. Foi aí que a peleia ficou acirrada e o futebol ficou em segundo plano, sendo cambiado por muita briga e demonstração de “raça” em campo. Dessa forma, Marquinhos Mato Grosso, que mal havia entrado, foi vermelhado por Célio Amorim, após agredir o intocável mito João Neto, para desespero do outro Célio – o Bruns -, torcedor e admirador do lateral-direito. Aliás, essa relação entre torcida, em especial Célio Bruns, e João Neto é definida por um misto de amor e ódio, que teve um bonito capítulo na goleada do Brusque por 4 a 0, contra o Juventus de Jaraguá, em que o lateral dedicou o gol ao jovem adepto quadricolor.

Boa chance para o Brusque em cobrança de falta no segundo tempo. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Boa chance para o Brusque em cobrança de falta no segundo tempo. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Para igualar numericamente os elencos em campo, Célio Amorim compensou a primeira expulsão, aplicando o cartão colorado no meia brusquense Wellington Simião, que também recém havia entrado na partida. Depois disso, os ânimos ficaram ainda mais acirrados. Até que Célio Amorim apitou o final da partida e a briga generalizou, com cenas lamentáveis por todo o campo onde o Brusque havia vencido. Com a situação parcialmente acalmada, pedi para João Neto ir cumprimentar o único torcedor que viajou os cerca de 250 quilômetros entre Brusque e Mafra. O lateral prontamente chamou o resto do elenco, mas, com toda a tensão do momento, o melhor a se fazer era correr para os vestiários. Que pessoa sensacional esse João Neto!

Cenas lamentáveis no final da partida. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Cenas lamentáveis no final da partida. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

E que baita vitória o Brusque foi buscar no planalto norte catarinense. Aproveitando o empate do Camboriú contra o ético Hercílio Luz, o Marreco assumiu a liderança e agora depende apenas das próprias forças, contra o Juventus de Seara, na próxima segunda-feira, para voltar de onde não deveria ter saído: a elite do Campeonato Catarinense. Para o Operário, resta continuar cumprindo tabela e tentar atrapalhar mais um que briga pelo acesso: o Atlético Tubarão. O Camboriú, também dependendo apenas de si, recebe o Porto.

Brusque teve mais posse de bole, mas a forte marcação do Operário não deixou o time do Vale jogar. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Brusque teve mais posse de bole, mas a forte marcação do Operário não deixou o time do Vale jogar. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

A volta para casa não poderia ser melhor. Depois de uma baita partida presenciada pela insana tríade Cancheiro, Desprovidos e Alambrado, o clima mudou completamente. Deixamos de lado toda aquela tensão da ida, tomamos um trajeto mais suave, e a boa conversa futebolística rendeu. Além disso, paramos em Rio Negrinho para comer o sensacional dogão do Marcão. Tá, e daí? E daí que, cinco minutos depois, Célio Amorim também aparace por lá e senta próximo a nós. É o mundo girando da forma mais aleatória possível.

Depois de tanta história nessa viagem – algumas, inclusive, impróprias para serem relatadas por aqui -, O Cancheiro, que mal chegou em Santa Catarina, deixará o estado novamente em busca de canchas perdidas no Paraná. Lá, o planejamento inclui uma rodada dupla em Curitiba no sábado e, na volta para cá, a última rodada da Série B do Catarinense, em Brusque. Depois de ir até a divisa entre os dois estados, em Mafra, O Cancheiro buscará histórias pela Série C do Brasileirão e pela surreal e tradicional Suburbana de Curitiba.

Fiquem na paz, nunca façam o trajeto Doutor Pedrinho-Itaiópolis de carro, e até o final de semana!

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