Fenarreco fora de época! Brusque está de volta à elite do futebol catarinense!

O futebol do Vale do Itajaí está em festa! Brusque e Camboriú estão de volta à primeira divisão!

Foram dois meses de muita pelota rolando pelos gramados do interior, canchas lotadas de torcedores apoiando seus times locais e muita emoção. Essa que, sem dúvidas, foi a melhor Segundona do últimos anos teve seu princípio lá na metade de junho. Quem também começou junto foi O Cancheiro, naquela primeira rodada, em que fui até Seara ver o Brusque sair com um 1 a 0 suado, contra o Juventus. E era exatamente esse o placar mínimo que o quadricolor precisava frente ao mesmo adversário daquela estreia, nessa segunda, para voltar à primeira divisão catarinense.

Foto eternizada pelo acesso. Em campo, o Brusque começou com Wanderson; João Neto, Rogélio, Cleyton e Flavinho; Carlos Alberto, Faísca e Elimoar; Paulinho, Tony e Eydison. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Foto eternizada pelo acesso. Em campo, o Brusque começou com Wanderson; João Neto, Rogélio, Cleyton e Flavinho; Carlos Alberto, Faísca e Elimoar; Paulinho, Tony e Eydison. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Os coadjuvantes da noite entraram em campo com Juliano; Guga, Mateus, Marcio, Gaúcho; Garroni, Rafinha, Tafarel, Chiquinho; Eraldo, Juninho. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Os coadjuvantes da noite entraram em campo com Juliano; Guga, Mateus, Marcio, Gaúcho; Garroni, Rafinha, Tafarel, Chiquinho; Eraldo, Juninho. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Contrariando os planos de romper a divisa Santa Catarina-Paraná, O Cancheiro teve um final de semana de folga, deixando para conhecer os geniais Ecoestádio e Trieste Stadium nas próximas semanas. Para compensar, nem bem deu segunda-feira e já estávamos na estrada novamente, para cobrir o desfecho daquela que foi a competição mais recorrente por essas linhas: a Série B do Catarinense. O destino também já é bem conhecido por aqui: o saudoso Augusto Bauer, onde já havia relatado os empates do Brusque contra o Porto e o Atlético Tubarão.

Torcida fez uma baita festa no Gigantinho. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Torcida fez uma baita festa no Gigantinho. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Dessa vez, sair de Brusque com um empate não seria nada bom, já que os concorrentes pelo acesso, Camboriú e Atlético Tubarão, vinham logo ali, na espreita, e tinham tudo para vencer seus rivais Porto e Operário de Mafra, na última rodada. E pensar que, pelo elenco que tem, o Brusque já era para estar com esse acesso garantido com algumas rodadas de antecedência, se não fosse a baita teimosia, beirando a birra, de Leandro Campos no comando técnico. Eram empates contra times de menor expressão, time sem padrão de jogo, entre outros tantos problemas, corrigidos com maestria por aquele ser humano sensacional conhecido como Mauro Ovelha.

Setor atrás do gol esteve completamente lotado em plena noite de segunda-feira. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Setor atrás do gol esteve completamente lotado em plena noite de segunda-feira. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Mas o passado é prólogo, transformando tudo que veio antes em preliminar, em mero antecedente. Palavras de Luís Fernando Veríssimo, outrora usadas para descrever o maior feito da história do Internacional, mas que hoje se encaixam perfeitamente com o momento vivido pelo Brusque e com o sentimento dos cerca de 4 mil torcedores presentes no Augusto Bauer. Qual torcida lotaria seu estádio em uma segunda à noite? Na mínima, uma torcida que merece ver seu time contra os ditos grandes de Santa Catarina.

Torcedores pedindo para o time dar o sangue pelo acesso, em uma janelinha do vestiário. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Torcedores pedindo para o time dar o sangue pelo acesso, em uma janelinha do vestiário. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Augusto Bauer completamente lotado em plena segunda-feira à noite. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Augusto Bauer completamente lotado em plena segunda-feira à noite. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Assim que cheguei em Brusque – cidade que, por sinal, sempre me recebeu incrivelmente bem – tomei meu tradicional rumo em direção ao Gigantinho da Beira-Rio. Logo que desci do carro, eis que surge a lenda João Neto vindo a pé para o estádio, com seu sorriso no rosto e humildade típicos. Falei que ele faria o gol do acesso, assim como um dia chutara que um tal de Gabiru faria um de título mundial. Seria um prelúdio de uma noite magnífica que o ídolo proporcionaria para sua torcida e que O Cancheiro relataria, além do jogo, a festa do acesso?

João Neto. Que homem! (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
João Neto. Que homem! (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Parecia que sim. Com uma atuação ofensiva e menos afobada que a do jogo em Mafra, o quadricolor entrou em campo sabendo que a tarefa não era das mais difíceis e que, sim, o acesso viria naquela noite de segunda-feira – chega de segundas na vida do Brusque. Contrariando as suspeitas de mala branca, o Juventus não jogou com tanto empenho para vencer, como fizera o Operário. Parecia que o time de Seara estava ali para, realmente, cumprir tabela e deixar a competição com dignidade. Às vezes, deixar a competição com dignidade não é necessariamente dar a vida por uma vitória que não levaria a lugar nenhum.

Fui liberado a ficar dentro de campo apenas no início da partida. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Fui liberado a ficar dentro de campo apenas no início da partida. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Em meia-hora de bola rolando, o que predominou foi a persistência do Marreco em alcançar o primeiro gol, que traria aquele alívio para os presentes na cancha. Flavinho demonstrou que tal postura logo resultaria mesmo em gol, aos 29 minutos, quando brigou por uma bola no meio-de-campo, avançou com ela dominada e cruzou. A pelota passou caprichosamente por todos que estavam na área, ainda desviou em um marcador do Juventus, e sobrou para o grande Paulinho completar de prima para as redes, fazendo o estádio explodir e soltar aquele grito entalado no peito.

Após sair do campo, fui curtir meu lado torcedor e sentir o calor das arquibancadas. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Após sair do campo, fui curtir meu lado torcedor e sentir o calor das arquibancadas. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Dez minutos depois, Faísca lançou a bola para a área, ela foi rebatida por um zagueiro do Juventus e, como um capricho do destino, uma obra de alguém ou entidade superiora que adora brincar com nossas emoções, ela foi parar nos pés dele, o mito João Neto – já me faltam adjetivos para descrever a grandeza desse cara. E como o futebol é formidável… Ele apenas teve o trabalho de matar a pelota, abrir para a direita e pegar na veia, acertando o cantinho do goleiro Guilherme e deixando este que vos escreve com os olhos marejados (acho que o time que eu torço não é novidade para ninguém).

Gol do João Neto levou a torcida a um misto de loucura e alívio. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Gol do João Neto levou a torcida a um misto de loucura e alívio. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Parece – e é – clichê, mas passa um baita filme, com um roteiro pra lá de original, na cabeça. Desde aquela epopeia para chegar em Seara, passando pela goleada em Jaraguá, onde tive meu primeiro contato com o mito, os jogos em que o time não engrenava, seja no Augusto Bauer ou em partidas fora, como aqueles empates em Tubarão. Tudo era, como dizia aquele colorado escritor gaúcho, um prefácio, uma preparação para aquele certo momento. E o passado ganha uma lógica que não tinha. Ou você acha que a contestação e as atuações medonhas do nosso lateral-direito foram obra do acaso, desse autor sem imaginação?

Voltando à partida, é inegável que bateu uma sensação de alívio após o gol do mito. Voltaríamos de onde jamais deveríamos ter saído. O segundo tempo passou como um raio, dizem até que, em certo momento, Eydison fez um gol de pênalti. Mais um motivo para comemorar e esperar o redentor apito do árbitro Eduardo Cordeiro Guimarães, que sacramentaria a volta do quadricolor à elite, para desespero daqueles que o fizeram cair daquela forma, ano passado.

Gol do Eydison sacramentou o acesso. A partir daí foi só festa. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Gol do Eydison sacramentou o acesso. A partir daí foi só festa. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

E o apito veio. Com ele, a merecida festa dos jogadores que formaram um dos elencos mais unidos que eu já vi, um Brusque digno de toda sua história vencedora. Agora adivinha qual foi o primeiro jogador que O Cancheiro cumprimentou pelo acesso? Sim, o lateral aquele, que após seu dia de Adriano Gabiru, era só sorrisos e braços abertos para confraternizar tal momento especial. Não vou dizer que o momento foi único, já que ele esteve presente em todas as comemorações do Brusque desde 2008, seja por título, coisa que não se vê muito lá pelas outras bandas do Vale, seja por acessos à elite. Ou até por gol em 4 a 1 na casa do rival.

Final feliz de uma campanha de altos e baixos representado no abraço emocionado entre o fã número 1 Célio e seu ídolo João Neto. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Final feliz de uma campanha de altos e baixos representado no abraço emocionado entre o fã número 1 Célio e seu ídolo João Neto. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Agora o ioiô do Vale, o time que adora pregar peças em seus torcedores e que sempre está vivendo uma montanha-russa de emoções, se junta ao Camboriú, autor de um fenomenal 7 a 1 contra o Porto, para a disputa do Delfinzão 2016. Antes disso, porém, há uma taça a se erguer e a única certeza é que ela ficará pelos lados do Vale do Itajaí. Seja no Robertão, onde acontece o primeiro jogo da decisão, seja no Augusto Bauer, onde o campeão será conhecido dia 30. O Brusque lutará pelo tri da segundona, para se juntar a Inter de Lages, Marcílio Dias e Joinville como maiores vencedores, enquanto o Camboriú, campeão em 2011, tentará o bi.

Mais fotos da comemoração:

O Cancheiro, como não poderia deixar de ser, estará presente nas duas partidas decisivas, a cereja do bolo, depois de muitas viagens e epopeias interior catarinense a dentro. Curiosamente, o único time que eu não consegui acompanhar nessa Série B foi o Camboriú, mesmo sendo o time mais próximo de Florianópolis, de onde escrevo. Sabiamente, estava esperando um momento especial para colocar o tricolor camboriuense na lista.

Até o próximo final de semana, com mais Brusque e a estreia do Camboriú por aqui.

E se isso tudo for um sonho, por favor, não me acordem!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s