Caxias e Juventude fazem clássico acirrado, mas novamente não saem do zero

Buenas!

Movimentação de torcedores para um clássico, no final da tarde do último domingo, no Rio Grande do Sul. Em qualquer outra cidade seria para o Gre-Nal. Menos em Caxias do Sul. Desde cedo, a cidade serrana vivia o clima do confronto entre suas equipes: Caxias e Juventude, na casa dos grenás, o Centenário. O Cancheiro não podia deixar a baita oportunidade passar e, depois do duelo matutino entre Novo Hamburgo e Brasil de Farroupilha, subiu a serra para encerrar sua temporada em solo gaúcho com um grande jogo.

Desde o Jaconi até o Centenário para ver o Juventude jogar. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Desde o Jaconi até o Centenário para ver o Juventude jogar. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

O jogo envolvia dois clubes em fases completamente distintas. O Juventude, apesar de vir de uma derrota traumática para o Brasil de Pelotas, se encontra na zona de classificação para o mata-mata da Série C. O Caxias, por sua vez, atravessa uma das piores fases de sua história. Depois do rebaixamento no Gauchão, o time grená também é sério candidato ao rebaixamento em nível nacional, estando três pontos atrás do Madureira, primeiro time fora da zona de rebaixamento à D.

Torcida do Caxias fez uma baita festa dentro do estádio. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Torcida do Caxias fez uma baita festa dentro do estádio. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
(Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
(Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Assim que desci do ônibus, tomei o rumo do Alfredo Jaconi, que fica muito próximo à rodoviária – “mas o clássico não era no Centenário?”. Lá, fui super bem recebido pelos Loucos da Papada, em especial por Leonardo Benini e Guilherme Rodriguez, conheci as dependências do estádio jaconero e segui em deslocamento com a torcida do Juventude até o Centenário – que fique bem claro que, apesar das amizades, simpatizo igualmente com os dois times.

Mais fotos do deslocamento da torcida jaconera:

Percorri os três quilômetros que separam as principais canchas caxienses, registrando o bonito espetáculo protagonizado por mais de mil torcedores do Juventude. Chegando no Francisco Stédile, o Centenário, fui autorizado pelos dirigentes da equipe mandante a entrar no campo para fotografar. Entretanto, a representante da ACEG (Associação dos Crônistas Esportivos Gaúchos) barrou minha entrada, alegando que eu deveria ter feito o pré-credenciamento. Mas de buena, como eu não havia feito, pude ter acesso apenas às cabines de imprensa do estádio. O problema é que elas ficam anos-luz de distância do campo. Conclusão: fui para o meio da torcida do Caxias e registrei o clássico de lá.

Marcelo Pitol; Bebeto, Lacerda, Laerte e Dagoberto; David, Reinaldo, Douglas Packer e Diego Torres; Negueba e Vavá.
Os grenás, com seus filhos no dia dos pais, entraram com Marcelo Pitol; Bebeto, Lacerda, Laerte e Dagoberto; David, Reinaldo, Douglas Packer e Diego Torres; Negueba e Vavá.

Das arquibancadas, presenciei a baita festa protagonizada pelas duas torcidas, que estavam em quantidade muito parecida. A torcida do Caxias, apesar de alguns desentendimentos internos, apoiou os 90 minutos. Os jaconeros, com suas duas torcidas organizadas unidas, não deixaram barato e, por vezes, dominaram a acústica do jogo. Com o apoio de seus torcedores, o Caxias provou toda aquela história batida de que em clássico não há favoritismo e começou brigando – e batendo. Com menos de 10 minutos, David e Bebeto já haviam sido amarelados por Jean Pierre Gonçalves Lima.

O Juventude, na caça ao líder Brasil, comçou o jogo com Elias; Neguete, Diogão e Heverton; Helder, Vacaria, Fabrício, Wallacer e Itaqui; Mailson e Jônatas Obina.
O Juventude, na caça ao líder Brasil, comçou o jogo com Elias; Neguete, Diogão e Heverton; Helder, Vacaria, Fabrício, Wallacer e Itaqui; Mailson e Jônatas Obina.

O começo pegado dos grenás impediu qualquer chegada do Juventude. O esquema com três zagueiros do técnico Picoli também barrava os ataques do Caxias. Dessa forma, o jogo ficou muito brigado no meio-de-campo. Aos 17, o time jaconero igualou a contagem nos cartões amarelos: Itaqui e Vacaria também foram advertidos. A truculência acabou tirando Reinaldo, volante do Caxias, da partida.

Chance desperdiçada pelo Caxias. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Chance desperdiçada pelo Caxias. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

No meio da primeira etapa, os times colocaram a pelota para rolar no gramada e o jogo ficou mais interessante do ponto de vista técnico. O Caxias conseguiu trocar passes e dominar a partida. Em cobrança de falta, aos 24, Douglas Packer quase surpreendeu o goleiro Elias, em batida que passou rente à trave. Notando que algo estava errado, Picoli olhou para o banco e adivinha quem estava lá, no auge de sua idade, pronto para entrar? Ele, o incansável Paulo Baier. O mito entrou aos 30, no lugar de Helder. Mas também não fez nada, nem criou, tampouco marcou.

Até o intervalo, os times insistiam nas mesmas armas: o Caxias em bolas aéreas, sempre afastadas pelos três zagueiros jaconeros, e o Juventude em contra-ataques pouco objetivos. Já nos acréscimos, Negueba teve a melhor chance do jogo. Depois de bater em Diogo, o meia-atacante do Caxias ficou cara a cara com o goleiro Elias, mas bateu para fora, levando a apreensiva torcida grená ao desespero.

Torcidas Mancha Verde e Loucos da Papada lado a lado pelo Ju. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Torcidas Mancha Verde e Loucos da Papada lado a lado pelo Ju. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Assim que começou o segundo tempo, parecia que outro Juventude tinha entrado em campo. Com uma marcação mais compacta e objetividade no ataque, o Papo quase marcou com Obina, aos 2, que girou e bateu forte, assustando o goleiro Marcelo Pitol. Logo depois, Itaqui também ficou perto de marcar, mas o chute de fora da área passou próximo ao gol. O Caxias voltou apático, errando vários passes no meio, enquanto o Juventude, depois do começo ligado, não soube aproveitar o melhor momento no jogo.

Banda grená não parou um minuto. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Banda grená não parou um minuto. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

A partida, no segundo tempo, ficou muito equilibrada e pouquíssimo inspirada. O árbitro gaúcho continuou a distribuir cartões para os dois lados. Dagoberto, Danilinho, Diego Torres e Léo, pelo lado grená, e Diogo, Fabrício e Maílson, pelo verde, foram amarelados. O último, inclusive, por ter imitado uma galinha e provocado a torcida da casa ao ser substituído no que foi, sem dúvidas, o melhor momento do jogo.

Com a bola já rolando para o segundo tempo, ainda havia torcedores formando uma arquibancada paralela para, acreditem, assistir o Gre-Nal. Foi constrangedor quando o Fernandinho fez o quarto gol e alguns torcedores vibraram. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Com a bola já rolando para o segundo tempo, ainda havia torcedores formando uma arquibancada paralela para, acreditem, assistir o Gre-Nal. Foi constrangedor quando Fernandinho fez o quarto gol e alguns torcedores vibraram como se fosse do Caxias. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Ficou nisso. A peleia bem ao estilo regional chegou ao final com mais um 0 a 0, mesmo placar do jogo do primeiro turno, no Alfredo Jaconi. Ruim para o Juventude, que podia alcançar o líder Brasil, mas continua na terceira posição; pior ainda para o Caxias, que segue sem vencer na Série C e corre sérios riscos de cair para a Série D, de onde o rival acabara de vir.

Para tentar começar uma recuperação tardia, o Caxias volta a jogar no Centenário, no próximo sábado, contra a Tombense. No dia seguinte, o Juventude tem um confronto decisivo contra o Londrina, no Jaconi. As duas equipes do sul vem ombro a ombro, com 18 pontos, disputando uma vaga entre os quatro classificados.

Ainda sobre a próxima rodada da Série C, é bem capaz que O Cancheiro se faça presente em uma partida no sábado. O que é certo é que voltamos a Santa e bela Catarina. Já faz tempo que a Série B catarinense não aparece por aqui. Para compensar, O Cancheiro estará presente nas últimas quatro rodadas: nas duas últimas da primeira fase e nas duas finais.

Para o Rio Grande do Sul, em especial aos torcedores dos times que por aqui passaram, fica o até logo! Voltaremos!

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