Em jogo repleto de história, Carlos Renaux elimina o América e garante vaga na final do Estadual

Buenas!

A segunda semifinal do Estadual de Amadores começou tão logo Cometa e Metropolitano deixaram o gramado do Olímpico Sadalla Amin Ghanem – após a preliminar que garantiu os sulistas na final. E não foi qualquer semifinal. Nada menos que sete títulos catarinenses profissionais adentraram o campo. América e Carlos Renaux fizeram um daqueles confrontos que moram na nossa imaginação, em retratos em preto e branco ou na memória dos saudosos adeptos do futebol catarinense.

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O Galo da Zona Norte, sob o comando do ex-zagueiro Benson, foi a campo com: Bambam, Cleyton, Alceni, Lucas e Marcão (Wagner); Roberto Paraná, Boateng (Felipi Coxinha), Serginho (Vinícius Melô) e Rafael Carioca; Leandrinho (Kiko) e Lima. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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O Vovô do futebol catarinense, treinado por Juliano Batista, estreou com: Niltinho; Carlinhos, Lang, Felipe (Anderson Linck) e Alex; Bacal, Catão, Cristiano (Waschington) e Thiago Cristian; Djalma e Anderson (Mateus). (Foto: Jery Souza)
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Richard Werner Floter comandou a semifinal, auxiliado por João Filipi Neto e Paulo Lucas da Silva. Marcelo Padilha da Rocha foi o quarto árbitro. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Galo e Vovô marcaram época no nosso futebol. São os dois clubes de futebol mais antigos em atividade em Santa Catarina. O auge de ambos, inclusive, foi em épocas semelhantes, tanto já decidiram dois Catarinenses nos longínquos anos 50. Em 1952, deu América – o quarto de seus cinco títulos. No ano seguinte, o Carlos Renaux foi lá e deu o troco, conquistando o bi.

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Lado a lado, sete campeonatos catarinense e muita história. (Foto: Jery Souza)

Depois das fusões que deram luz a Joinville e Brusque, tanto o Galo quanto o Vovô se retiraram de competições profissionais. Na era amadora, quem foi mais longe foi o clube de Joinville, que chegou a copar o Estadual por duas oportunidades, em 1995 e 96. O Carlos Renaux, pelo contrário, ficou mais restrito às competições municipais e de categorias de base. O time de Brusque ainda se aventurou numa tentativa de retorno ao profissional, em 2004, mas não obteve sucesso.

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A torcida não deu muita bola para a história e não ocupou as arquibancadas do Olímpico em grande número. (Foto: Jery Souza)

O destino das duas esquadras voltou a se cruzar de uma forma completamente aleatória. Enquanto o América confirmou lugar no Estadual com o título da Copa Norte, o Carlos Renaux chegou até aqui através do vice Copa Krona, o campeonato da Liga Blumenauense – o único a nível federado no Vale do Itajaí. O campeão foi o Metropolitano, de Blumenau, que por ser profissional não teve o interesse de entrar o Estadual. Enquanto o América passou no sufoco para as semis, em um jogaço de nove gols contra o Náutico, o Renaux teve a sorte de ingressar diretamente nas semis.

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Thiago Cristian foi o principal reforço bruscado pelos brusquenses na vizinha Blumenau. Até poucos meses atrás, ele estava disputando a Série D do Brasileirão pelo Metropolitano. (Foto: Jery Souza)

Descansado, o escrete brusquense entrou em campo já metendo pressão. Surpreendendo os anfitriões, o Renaux foi para cima e quase abriu o placar em cabeceio de Anderson, que foi desviado por Bambam e ainda triscou a trave. No lance seguinte, Lang pegou uma sobra de escanteio e emendou por cima.

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Anderson quase abriu o placar logo no primeiro lance. (Foto: Jery Souza)

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Aos poucos entrando na partida, o América foi crescendo e não tardou a abrir o placar. Em falta frontal, aos 9 minutos, Serginho bateu com perfeição, a pelota ainda raspou no travessão e morreu lá no filó, sem a menor chance para Niltinho. O volante americano ainda quase ampliou no lance seguinte, dentro da área, mas pegou fraco.

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Serginho abriu o placar com extrema classe. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Djalma, e seu estilo à la Ronaldinho, tentou uma acrobacia por ali e mandou a pelota quase pela lateral. (Foto: Jery Souza)

Do outro lado, ainda com um bom volume de jogo, o Vovô respondeu em arremates de Djalma e Carlinhos. Na base da pressão, o Renaux descolou uma série de escanteios e faltas próximas à área. Num desses tiros de canto, aos 37, Thiago Cristian bateu no primeiro pau e Anderson antecipou para empatar.

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Anderson, rodado pelo futebol tanto de Joinville quanto do Vale do Itajaí, fez bem seu papel de centroavante e empatou. (Foto: Jery Souza)
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O experiente Anderson ganhou todas pelo alto. (Foto: Jery Souza)

Apesar do certo favoritismo do Galo, o Vovô, com seu time cascudo, segurou bem as pontas e ainda criou mais, podendo até ter ido para o intervalo com a vitória. Sendo assim, o placar se ajustou logo no primeiro lance do segundo tempo. Thiago Cristian, com sua canhota calibrada, bateu escanteio e, dessa vez, a bola sobrou para o baixinho Djalma, livre de marcação, desempatar.

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Djalma, apesar da estatura, virou o placar de cabeça. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Desnorteado, o América novamente teve um certo delay na entrada do segundo tempo. Quando se ajustou, a equipe da casa chegou ao empate em nova bola parada, aos 12. Rafael Carioca bateu falta no meio da área, na medida para Lima antecipar à marcação e ao arqueiro Niltinho. quatro minutos depois, em lance muito semelhante, o matador ex-jequeano fez outro, mas dessa vez em posição irregular.

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Lima subiu no tempo certo para fazer seu terceiro gol e assumir a artilharia do torneio. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Mesmo jogando na defensiva e fazendo o América esbarrar em sua bem armada retaguarda, o Carlos Renaux não se abdicou de jogar. Aos 19, mais uma vez a bola parada voltou a mexer no placar. Bacal cobrou falta com maestria, quase no ângulo, mas Bambam, igualmente de forma incrível, foi lá buscar; a bola, porém, ainda pegou no travessão e sobrou no meio da pequena área para o matador Anderson fazer seu segundo, o terceiro do Renaux.

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Bambam foi buscar lá no ângulo. A defesa, que seria antológica, foi abafada pelo gol de Anderson, no rebote. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Anderson fez mais um e correu para o abraço. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Mesmo rondando a área adversária, o América não conseguia criar. Além da bem postada defesa brusquense, o time da casa aos poucos foi demonstrando um cansaço pelos dois jogos seguidos. O grande susto para os visitantes só veio nos acréscimos, quando o arqueiro Niltinho ficou muito tempo segurando a bola com as mãos e Richard Werner Floter assinalou o tiro livre indireto – decisão corajosa e raríssima no futebol profissional. Na cobrança, Wagner rolou para Lima pegar em cheio, furar a defesa, mas parar na defesaça redentora de Niltinho.

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Lima ajeita a bola após a bobeada de Niltinho. Na cobrança, o arqueiro se redimiu e garantiu a classificação. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

O lance selou a classificação do Carlos Renaux para a inédita final. Mesmo dessa vez jogando em casa, o América segue com o tabu de mais de 20 anos sem conquistar o Estadual de Amadores – nesse meio tempo, foi uma das equipes que mais participou.

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Após o jogo, ainda sem se conter, tamanha a alegria, Niltinho falou da importância do retorno do Carlos Renaux ao protagonismo do futebol catarinense. O goleiro não vai poder jogar a final, porque tem casamento marcado no sábado. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Carlos Reanux na final pela primeira vez. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Mais fotos da partida

A final, já no dia seguinte, colocará duas realidades completamente distintas: uma equipe nova e quase soberana no amador catarinense, o Metropolitano, contra um time lendário no profisisonal, mas ainda escrevendo sua história no amador.

O Cancheiro, é óbvio, estará de volta ao Olímpico nesse sábado para a decisão.

Até breve!

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