Em plena Rua Javari, Figueirense desbanca o Juventus e termina na ponta do grupo 28 da Copinha

Opa!

São José dos Campos ficou para trás. O Cancheiro volta seu foco, agora, para as equipes catarinenses na Copinha. E para nossa sorte, uma delas acabou caindo na sede mais genial de todas. Na emblemática Rua Javari, o Figueirense mediria forças contra o Juventus da Mooca, buscando a liderança do grupo 28.

Além do fato, é claro, da partida contar com uma equipe catarinense, O Cancheiro não se daria ao luxo de perder a chance de conhecer as acanhadas e históricas arquibancadas do Estádio Conde Rodolfo Crespi, de tantas histórias e que, desde a última década, vem ganhando uma aura meio cult.

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Fachada da caso do Moleque Travesso. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

A chegada à Rua Javari já rende uma história à parte. Trajado com a camisa do Aimoré – a mesma com a qual eu acompanhei a eliminação do Índio pela manhã -, desci do carro e fui abordado por um flanelinha. O cara veio com uma história de que era jogador de futebol. Até aí tudo bem. Sem em nenhum momento eu ter comentado que era torcedor do Brusque, muito menos que vinha de Santa Catarina, ele começou a contar uma história de quando jogou contra o Palmito, maior ídolo da história quadricolor. “Como a gente vai perder pra um time que o artilheiro se chama Palmito?”, contava. “Agora adivinha o placar? 4 a 2, quatro gols do cara”. O Vasquinho, como é conhecido, redefiniu todos os conceitos de ser bom de papo.

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A cancha juventina preserva seus traços clássicos, coisa que hoje em dia não se vê nem pelo interior. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Não havia sequer entrado no estádio e já havia esgotado a cota de alternatividades da tarde. Quando enfim entrei, com a ajuda do Vasquinho, a pelota ainda rolava para o jogo preliminar. Portuguesa e Sete de Setembro faziam seus últimos minutos na Copinha. Ainda que pressionassem em busca de uma chance remota de classificação, as duas equipes ficaram no zero.

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Sete de Setembro, com o apoio da torcida local, e Portuguesa ficaram no zero. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Cientes do resultado anterior, Figueirense e Juventus entrariam em campo já classificados. O time catarinense, como comentava o coordenador Pedro Smania, sob raios que prenunciavam um temporal na Rua Javari, entraria em campo com uma equipe alternativa. O primeiro lugar provavelmente colocaria o Fluminense no caminho de uma das duas equipes.

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O Figueira saiu jogando com Vitor Caetano; Sidney, Guilherme, Felipe e Jonathan; Jean, Pedrinho e Patrick; Igor, Luiz Fernando e Walison. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Falando no temporal, ele só esperou o apito final do jogo da Portuguesa para descambar de vez. Juventus e Figueirense adentraram um gramado já totalmente encharcado. A pressa para começar a partida e não deixar os jogadores esfriarem acabou cortando a execução dos hinos e as fotos posadas da arbitragem e do time da casa. Depois de subir ao campo especialmente para tirar a foto dos catarinenses, retornei às arquibancadas e me embrenhei em um dos raros espaços do maravilhoso, porém socado, pavilhão. A chuva tinha até afugentado a fiel clientela do Seu Antônio, famoso por seus cannolis.

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Público se amontoou sob o pavilhão para fugir da chuva que era tocado com vento. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Aos poucos o céu ia se abrindo na Mooca. Quando, enfim, tudo se acalmou, me dirigi à arquibancada de trás da goleira defendida por Vitor. Lá, uma festa com sotaque castelhano dava um tom ainda mais genial à cancha. A Setor 2, primeira barrabrava do Brasil, estava sem seus instrumentos e tradicionais trapos e tirantes, mas não ficava um instante sequer sem cantar e apoiar o time. A torcida nasceu no começo dos anos 2000, numa das piores fases da história do Juve, e foi crescendo de forma inversamente proporcional ao desempenho que a equipe vinha apresentando em campo.

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Atrás do gol, a Setor 2, primeira barra brava do Brasil, apoiou o Juventus durante os 90 minutos. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Uma pelota foi parar atrás do gol e virou brincadeira entre a torcida. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

De trás do gol, consegui parar um pouco para assistir a peleja que tentava se desenrolar pelo gramado. A criação, dificultada pelas poças, principalmente no ataque juventino, era nula. Ainda assim, a esquadra da Mooca dominou o primeiro tempo e criou as melhores oportunidades de gol.

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Muita peleia e poucas trocas de passes. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Com o sol dando as caras na Rua Javari, o segundo tempo prometia maiores emoções. Aos 22, quando o Juventus seguia dominando, Malaquias recebeu pela direita e bateu cruzado, abrindo o placar para os catarinenses. Dez minutos depois, Betinho deu um carrinho na área e acabou carregando a pelota no braço. Apesar das reclamações, fazendo gestos que não teria como tirar a mão, o árbitro foi contundente na marcação da penalidade. Felipe Camargo foi para a cobrança, o arqueiro Leo Campos pegou, mas no rebote o próprio zagueirão guardou.

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Felipe Camargo ficou ligado no rebote e marcou o segundo gol do Furacão. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Assim como em 2015, o Figueirense ficou em primeiro no grupo da Rua Javari, com sete pontos. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

A vitória do Figueira colocou a equipe no caminho do Fluminense. O Tricolor havia sido surpreendido na segunda rodada pelo Interporto, do Tocantins, e acabou no segundo lugar do grupo 27. Os anfitriões do Grêmio Osasco aproveitaram e garantiram o primeiro posto, tendo o Juventus como seu adversário na segunda fase.

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Mesmo com a derrota, a torcida da Mooca aplaudiu a classificação inédita do Juventus. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Outras fotos do jogo

Todo o clima do futebol antigo, com traços de interiorano, dava a sensação que estávamos bem longe de megalópole ambulante paulistana. O clima simplista e de camaradagem se percebia também em cada torcedor local que me parava querendo saber um pouco mais sobre o Índio Capilé, gravado no escudo da camisa alviazul que eu trajava no jogo – curiosamente, eu não era o único torcedor leopoldense na Rua Javari, já que a gurizada da Rádio Índio Capilé, que fez um trabalho sensacional em São José dos Campos, também aproveitou a viagem de volta para dar um pulo na Mooca.

Depois de fazer minha estreia, de certa forma tardia, em canchas paulistanas – e que estreia! – sigo com a Capital como meu QG. Após uma segunda-feira de um merecido descanso, rumei, na terça, à pequena Capivari, distante 140 quilômetros. Por lá, o futuro da Chapecoense entraria em campo para um embate sensacional contra o todo-poderoso São Paulo.

Fique ligado!.

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