Bravo Índio Capilé corre atrás do placar três vezes, mas fica no empate com o Mogi e deixa a Copinha de cabeça erguida

Há cerca de um ano e meio, O Cancheiro, ainda em seus primeiros passos, embarcava na estação Unisinos do Trensurb e saltava na Mathias Velho. Mais uns 20 minutos de caminhada sob um sol de rachar e lá estávamos no Centro Olímpico Municipal de Canoas. Curiosas, pessoas em seus momentos de lazer ou de condicionamento físico, paravam junto à grade que separava um campo de futebol do parque. Ali, uma gurizada de Aimoré e Estância Velha duelavam em busca de um sonho de vida ainda muito distante, o de se tornarem jogadores profissionais de futebol. Mal imaginavam os de São Leopoldo que, naquele gramado varzeano, começavam a trilhar uma jornada que entraria para história do clube e que concederia a tão sonhada oportunidade da vida deles.

O jogo marcava a estreia do Aimoré na Copa FGF Sub-19 de 2015. Quatro meses se passaram e, com uma campanha absoluta, o Índio chegava à decisão do torneio. Uma baita vitória contra o Panambi voltou a dar a oportunidade de um Cristo Rei lotado comemorar uma taça do Aimoré. A história já estava feita.

Mas havia mais espaço para um capítulo extra, o bis com o qual os juniores presenteariam sua apaixonada torcida. A Copa Sub-19, aliada ao terceiro lugar no Gauchão da categoria, credenciaram o Índio Capilé a seguir sonhando alto, dessa vez bem longe de sua taba. Se, até então, pouco se conhecia sobre o Aimoré do Mampituba em diante, os guris do Índio trataram de levar o nome do clube a São José dos Campos, para o Brasil inteiro ver.

Com pretensões modestas, a improvisada esquadra leopoldense estreou perdendo para o Internacional. Na segunda batalha, contra o São José dos Campos, uma atuação irregular acabou resultando no primeiro pontosorte que o Inter goleou o Mogi Mirim na partida de fundo. Estavam deixando o Aimoré sonhar. Bastava uma vitória simples, contra o próprio Mogi Mirim na última rodada, para que os capilés e seus devaneios voltassem à estrada, com destino a Tabão da Serra.

Clube Esportivo Aimoré
O Aimoré jogou a partida decisiva com Bruno; Hainer (Wesley), Centeno, Alucson (William) e Lucas Port; João Santoris, João Guilherme e Domênico (Jonathan); Vitor, Leozinho (Christian) e Sarará. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Mogi Mirim Esporte Clube
Capone escalou o Mogi Mirim com Murilo; Léo (Caio), Felipe, Salatiel e Bruno; David, Vitinho (Vinícius), Breno e Xande (Gabriel Ataliba); Galego e Paim. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
aimore x mogi mirim
Trio composto por Daniel Carlos Luciano Fernandes, Luiz Fernando de Moraes e Diego Luiz Alves. Cledson Gahio foi o quarto árbitro. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

O embate decisivo começou a ganhar contornos dramáticos para o Aimoré já aos 15 minutos, momento em que dominava completamente as ações. Paim pedalou para cima da marcação e foi derrubado; o próprio centroavante levantou e se apossou da pelota, batendo alto e no meio. Os primeiros 45 minutos terminaram com um Aimoré jogando de forma ofensiva e criando várias oportunidades, mas com um eficiente Mogi Mirim na frente do placar.

Mal sabiam os presentes no Martins Pereira, naquela manhã de domingo, das emoções reservadas para a segunda etapa. Logo aos 3 minutos, o Aimoré fez o que não conseguiu em todo o primeiro tempo: empurrar a pelota para as redes. Em cobrança de falta de Lucas Port, pela direita, o arqueiro Murilo, de ótima atuação no jogo contra o Inter, saiu espalmando para a frente; a bola rebateu em Vitor e entrou – lance semelhante ao gol aimoresista contra o São José, anulado por um suposto impedimento.

O segundo balde de água fria, porém, viria seis minutos depois. Jefferson aproveitou uma falha da zaga adversário e recebeu sozinho, na pequena área, com tempo de dominar e escolher o canto. O Aimoré seguiu peleando e, em mais uma de suas arrancadas, Leozinho cruzou rasteiro para Vitor só empurrar para as redes, faltando 20 minutos para buscar uma virada.

Quando parecia estar mais próximo do gol, assim como estivera em quase toda a partida, mais uma falha clamorosa da defesa aimoresista parecia colocar um ponto final à campanha. A essa altura, o xerifão Centeno havia cansado de ganhar todas as bolas pelo alto na defesa e foi tentar a sorte como centroavante. Faltando cinco minutos para o fim, o Mogi avançou pela direita, a marcação do Aimoré bateu cabeça, e a bola sobrou para o matador Paim bater rasteiro: 3 a 2 para o Sapo.

O bravo Índio Capilé não se deu por batido e foi em busca do improvável. Faltando um minuto para o fim do tempo regulamentar, Sarará, de fraca atuação até então, fez uma pintura; em cobrança de falta da entrada da área, o atacante aimoresista acertou o ângulo, sem chances para Murilo. Os quatro minutos de acréscimos foram de total pressão do Aimoré, mas dessa vez Padre Reus não foi capaz de interceder e o gol da virada não veio.

Pelo futebol apresentado e clubismo à parte, não tenho a menor dúvida de que o Aimoré era merecedor da segunda vaga do grupo. Foi o time que mais complicou a vida do Inter, teve um segundo tempo superior contra o São José dos Campos e jogou de forma ofensiva contra o Mogi, tendo muito mais chances claras de gols nas duas últimas. O futebol, como estamos cansados de saber, adora desafiar a lógica e, no caso, quem levou a pior foi o Aimoré – o próprio Índio, só por essa passagem por São José dos Campos já desafia toda e qualquer lógica.

Pelo futebol apresentado e clubismo à parte, não tenho a menor dúvida de que o Aimoré era merecedor da segunda vaga do grupo. Foi o time que mais complicou a vida do Inter, teve um segundo tempo superior contra o São José dos Campos e jogou de forma ofensiva contra o Mogi, tendo muito mais chances claras de gols nas duas últimas. O futebol, como estamos cansados de saber, adora desafiar a lógica e, no caso, quem levou a pior foi o Aimoré – o próprio Índio, só por essa passagem por São José dos Campos já desafia toda e qualquer lógica.

Galeria de fotos do jogo

 

 

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