Xanxerê é campeão catarinense com vitória incontestável sobre o Estrela Azul

Salve!

Morro da Fumaça ficou para trás. Na ensolarada tarde de segunda-feira, pré-feriado sei-lá-do-quê, tomei o rumo de Nova Veneza e parei no meio do caminho. Sendo mais preciso, no distrito do Caravaggio, famoso por suas peregrinações e culto à Nossa Senhora. A peregrinação d’O Cancheiro, entretanto, é outra e, como o próprio nome do blog sugere, segui em direção ao Estádio da Montanha, a cancha local. Por lá, seria conhecido o grande campeão do futebol amador de Santa Catarina. Apesar de ser no Sul, alguma reza das braba tirou as equipes locais da decisão, deixando o protagonismo todo para Xanxerê e Estrela Azul.

Xanxerê Futebol Clube
O Xanxerê, do técnico Lau, subiu ao campo do Estádio da Montanha com Índio; Grilo, Alexandre, Guga e Valmir; Basílio, Edson Negão, Jair Mueller e Edvaldo; Fumaça e Renato. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Estrela Azul Futebol Clube
Nádio escalou o Estrela Laranja Azul com Diego; Tiago, Bolão, Andrei e Wellington; Marquinhos, Luciano, Vanderson (Fabinho) e Anderson; Cheirinho e Ramon. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Trio de arbitragem da CBF: Bráulio da Silva Machado, Jose Roberto Larroyd e Carlos Felipe Schmidt. Cleomar Abegg foi o quarto árbitro. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Como havia escolhido Morro da Fumaça como QG no Estadual, acabei acompanhando toda a jornada do Xanxerê rumo à final, desde a vitória magra sobre o Atlético Pomerodense, até a suada classificação contra o Rui Barbosa, nos pênaltis. O Estrela, por sua vez, conquistou a vaga à inédita decisão após visitar o Santuário do Caravaggio, rogar por intervenções divinas e conseguir o feito de eliminar os favoritaços donos da casa – em conversa com alguns dirigentes locais antes da final, todos afirmaram dar como certa a presença do time da casa na decisão. Apesar de todo esse desdém dos anfitriões, o Estrela vinha de uma campanha irrefutável na Interligas, tendo sofrido apenas uma derrota – justamente na única partida da equipe em que O Cancheiro esteve presente, contra o Pescador.

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Não foi dessa vez que o Carvaggio conseguiu pintar o “bi”, na frente de “campeão catarinense amador 2013”. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Ainda que sem os donos da festa, todos os caminhos do futebol catarinense levavam ao Estádio da Montanha. Era o que o nobre idealista aqui imaginava. Chegando lá, constatei que eu era o único fotógrafo, tirando o da federação, que registraria a decisão. Ainda que me perguntassem de todos os cantos do Estado se alguma rádio acompanharia a decisão e eu afirmasse que sim, nenhuma deslocou ao menos um repórter até o Caravaggio. Para não dizer que não havia absolutamente nenhuma imprensa, o grandioso campeonatoamador.com estava lá com sua câmera a tiracolo, filmando a peleja.

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O pequeno público presente foi composto em sua maioria por torcedores de Santo Amaro da Imperatriz, não tão distante de Nova Veneza. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Findado meu curto parêntese sobre a cobertura midiática do futebol amador em Santa Catarina, vamos ao que interessa: a bola rolando. E foi a equipe de Santo Amaro da Imperatriz que arriscou primeiro: Vanderson, de fora da área, pegou uma bola quicando e mandou por cima da meta defendida por Índio. Jair Mueller, o incansável, respondeu pelo outro lado, arriscando duas vezes e obrigando o goleiro Diego a trabalhar logo no começo.

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Confronto de camisas 10: Jair Mueller provoca Anderson, batendo palmas e o chamando para cima. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Assim como ocorrera em Morro da Fumaça, contra o Rui, o Xanxerê aproveitou um apagão da equipe de Santo Amaro da Imperatriz e abriu logo dois gols de vantagem. Primeiro aos 17, com Edson Negão; após cruzamento de Edivaldo, o volante antecipou de cabeça e mandou no contrapé de Diego. Depois aos 30 com o infernal Fumaça; Andrei entregou a rapadura, o atacante xanxerense roubou a bola dentro da área e ampliou o placar.

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Enquanto o Estrela não conseguiu concluir uma jogada, do outro lado o Xanxerê já ia abrindo 2×0. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Depois de um começo bom, o Estrela Azul havia se perdido na partida. A dupla Vanderson e Anderson não conseguia fazer a bola chegar aos seus atacantes. O primeiro foi substituído alguns minutos depois do segundo gol, dando lugar a Fabinho. Ainda assim, a equipe de Santo Amaro só conseguiu assustar no último lance da primeira etapa, quando mandou uma bola no pé da trave, após um desvio em cobrança de falta.

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Gustavo tentando demonstrar para Bráulio da Silva Machado que pulou com o braço junto à cabeça. Mesmo assim, o amarelinho veio. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Parecia um repeteco da semifinal: 2 a 0 para o Xanxerê na primeira etapa, ainda que os 45 minutos iniciais tenham contado com um certo equilíbrio. O problema é que, ao contrário do que fizera o Rui, o Estrela voltou a campo meio desligado. Deixou passar aquele gás inicial e logo voltou a dar cancha para o Xanxerê jogar na base do contra-ataque.

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Tiago recebe a marcação pesada de Basílio e Jair. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Foi desse modo que, aos 15, Edson Negão roubou na intermediária, avançou sozinho e rolou para Renato, que teria só o trabalho de escorar, mas errou. No minuto seguinte, foi a vez de Volmir roubar próximo ao meio do campo e, ao contrário do que fizera o companheiro, arriscar dali mesmo, quase anotando um gol antológico. Renato ainda teve mais uma chance clara de ampliar, ao receber dentro da pequena área, mas domingou mal e deixou a bola escapar; sorte dele que, ao tentar se recuperar e achar ângulo para o chute, foi atropelado pela zaga. Pênalti assinalado pro Bráulio, mas muito mal batido por Volmir, que telegrafou e facilitou a vida do arqueiro Diego.

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Diego foi muito bem e evitou que o Xanxerê chegasse ao terceiro tento. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Cheirinho, totalmente apagado na partida, teve a chance de recolocar o Estrela Azul no jogo; o atacante recebeu bola enfiada e saiu na cara de Índio, mas o goleiro se agigantou para cima do atacante e salvou. Logo depois, Cheirinho coroou sua atuação desastrada ao dar no meio de Marcelo e receber o vermelho direto.

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Índio salvou o Xanxerê mais uma vez. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Mesmo com correria imposta após a entrada de Mainha e Neném, a equipe alaranjada não conseguiu encaixar nenhuma jogada. O Xanxerê, enquanto isso, continuava abusando dos contragolpes. Em um deles, Marcelo, que havia entrado no segundo tempo, avançou pela esquerda e bateu no cantinho, sem chances para Diego. Do lado de fora, gritos de “é campeão” ecoavam pelo esvaziado Estádio da Montanha.

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Índio saiu socando na direção do que o aguardava no final: campeão catarinense amador. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

O apito final de Braúlio da Silva Machado consagrou toda a superioridade do Xanxerê nessa decisão. Mesmo estando em campo pelo terceiro dia seguido, a equipe do Oeste foi gigante e soube neutralizar facilmente o adversário. “Falei que ia ser o jogo mais fácil desse campeonato”, comentou um dos reservas, enquanto invadia o campo para comemorar.

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Jogadores e comissão técnica pedindo o fim da partida. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Bráulio apitou e enfim o Xanxerê pôde comemorar. Jair, em especial, estava com o grito entalado desde a final de 2015, quando jogou pelo Guarani. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Com a vitória, o caneco volta ao Oeste depois de quatro temporadas seguidas pelo Sul – o último campeão da região havia sido o Olaria, um dos fundadores do próprio Xanxerê. Demonstra, também, a superioridade do futebol amador jogado lá por aquelas bandas. Em relação ao Sul, que domina na atualidade, o Oeste chegou a 11 títulos a mais: 19 contra 8.

Mais fotos da decisão

Já que não deu para o Oeste ano passado, quando o Guarani viu o também neoveneziano Metropolitano copar em sua casa, dessa vez o título sai do Sul e viaja cerca de 500 quilômetros até Xanxerê.

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Basílio, personagem folclórico do futebol de Criciúma, teve a honra de levantar a taça. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Festa xanxerense em Nova Veneza. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

O Cancheiro deixa Morro da Fumaça e Nova Veneza com mais um Estadual no currículo. Cabe aqui agradecer à diretoria do Rui Barbosa, sempre atenciosa e gentil, e à própria LARM pelo apoio prestado. Deixamos o Sul – e Santa Catarina – e já preparamos uma próxima cobertura supimpa para o feriado.

Dica: tem time de Nova Veneza no meio.

Entonces, até logo e aquele abraço!

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