São Bento vence Brusque pelo placar mínimo, segue adiante e acaba com o sonho quadricolor na Série D

Opa!

Quem dera um dia Santa Catarina ter a quantidade de times e o calendário cheio como São Paulo. Para dar prosseguimento à nossa jornada por terras paulistas, tive que quebrar a cabeça para fazer o planejamento. Depois de descer à Baixada Santista, na sexta, para acompanhar uma peleja da Segunda Divisão, o sábado foi de ver mais uma competição nova por aqui, mas dessa vez a nível nacional.

O motivo – ou o GANCHO – para a viagem foi a classificação do Brusque ao mata-mata da Série D. A segunda colocação no grupo A15 colocou o quadricolor no caminho do São Bento, líder isolado do A14. Ainda que tenha colocado três bolas na trave e tido um gol anulado, a equipe catarinense não conseguiu sair do zero no jogo de ida, disputado no Augusto Bauer. Ou seja, a decisão ficou para Sorocaba, no Estádio Walter Ribeiro, onde quem saísse vitorioso estaria garantido na próxima fase – empate com gols daria a vaga ao Brusque.

São Bento x Brusque
Equipes perfiladas no gramado do CIC. São Bento com Rodrigo Viana; Lucas Mendes, Rogério, Daniel Gigante e Pedro Henrique; Leandro Melo (Giovanni); Jô, Fábio Bahia (Guilherme Garré) e Maicon Souza; Wilson Junior e Anderson Cavalo (Magrão). Brusque com Zé Carlos; Carlos Alberto, Cleyton, Neguete e Formiga; Mineiro, Rhuan (Zulu), Pelezinho (Marcelo Tchê) e Eliomar; Paulinho (Rafael Xavier) e Tony. O trio de arbitragem veio do Mato Grosso do Sul: Marcos Mateus Pereira, Leandro dos Santos Ruberdo e Sérgio Alexandre da Silva. E o quarto árbitro foi o paulista Márcio Henrique de Gois. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Cerca de 3700 pessoas se dirigiram ao Centro de Integração Comunitário, ou simplesmente CIC, como é conhecido o estádio, para acompanhar a peleja. De Brusque, algumas dezenas de viventes percorreram os 600 quilômetros para torcer pelo quadricolor. De dentro de campo, o clima era claramente de decisão, com a torcida aflita em determinados momentos, mas apoiando em grande parte do jogo.

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Só os loucos pelo Bruscão. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Jogo que começou morno, com as equipes naquele tradicional estudo sobre o rival. O São Bento, em especial, andava precavido, já que um golzinho do Brusque deixaria a equipe em situação complicada, sendo obrigada a buscar a virada. Na ânsia de segurar o placar, Leandro Melo, que chegou a ser cogitado no Brusque no começo do ano, deu uma entrada dura em Eliomar e foi amarelado logo nos primeiros minutos.

São Bento x Brusque6
Bola passou por Tony e foi rebatida por Rogério. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

O São Bento até ficou mais tempo com a posse da bola, mas não ofereceu o menor perigo ao Brusque na primeira etapa. Pelo contrário, foi a equipe do Vale do Itajaí que começou mais incisiva, com chegadas rápidas de Tony, deslocado para o lado esquerdo, e de Paulinho. Ainda assim, o único chute perigoso saiu dos pés de Carlos Alberto, após lançamento de Zé Carlos mal rebatido pela zaga. O São Bento só cresceu no final da primeira etapa, empurrado pela torcida, e teve uma boa finalização de Anderson Cavalo, defendida por Zé Carlos.

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Ao contrário da primeira partida, Paulinho teve uma atuação discreta em Sorocaba. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

O segundo tempo foi totalmente diferente. As equipes, principalmente a da casa, se abriram totalmente, em busca de gol da classificação, e deixaram a partida aberta e consideravelmente mais emocionante. Foi aí que a torcida local fez a diferença, crescendo junto com a equipe.

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Tony jogou boa parte da partida deslocado para a esquerda. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Logo no primeiro lance, Anderson Cavalo cabeceou no segundo pau e mandou a bola por cima. A resposta brusquense já viria no lance seguinte, quando Carlos Alberto subiu ao ataque, se empolgou, e arriscou um chute cruzado, também por cima da meta adversária. Pouco depois, o São Bento trabalhou bem a bola, até ela chegar em Wilson Júnior, que puxou para a canhota e bateu rente à esquerda do gol. Em cinco minutos, já havia mais finalizações que em todo os primeiros 45.

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Tony tenta rolar para Pelezinho, mas Daniel Gigante chega rasgando para afastar. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Aos poucos o jogo foi voltando a ficar morno, até que o Brusque foi cedendo espaço para o São Bento. Empurrado pelas arquibancadas do CIC, o azulão rondava a área e se aproximava cada vez mais do gol. Isso até os 30, quando Magrão, que havia entrado no lugar de Anderson Cavalo quatro minutos antes, aproveitou um rebote de uma defesaça de Zé Carlos, bateu mascado e enfim venceu o goleiro brusquense: 1×0.

Em um confronto tão estudado, desde a primeira partida, um gol como esse era praticamente sinônimo de classificação, mesmo que o Brusque ainda precisasse de apenas um para ficar com a vaga. Ainda assim, o quadricolor não conseguiu tomar conta da partida, indo para o ataque sem organização e ainda deixando a defesa aberta para os contragolpes do São Bento. A tímida entrada de Zulu não representou maior poder de fogo para o Brusque; o ídolo do Juventude só conseguiu finalizar uma vez, mas a bola encontrou o lado externo da rede, após desvio de Rodrigo Viana.

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O sol já tinha caído em Sorocaba quando o Brusque buscou pressionar para chegar ao empate. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Uma certa pressão no final até deixou a torcida do São Bento aflita e, por isso, calada. Porém, após cobrança de falta de Zé Carlos, o árbitro sul-matogrossense deu o último apito, sepultando as chances do Brusque de seguir na crescente que começou há pouco mais de um ano, em Seara, e irrompendo a festa nas arquibancadas e no gramado do CIC.

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Último lance: Zé Carlos coloca na área, mas ninguém chega para completar. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Na saída do gramado, ainda encontrei um cabisbaixo Zé Carlos, sozinho, sentado ao lado da entrada do vestiário, após ter feito uma bela partida. Segundo o próprio, ele não ficará no Brusque. Do resto do elenco, alguns deverão reforçar as equipes da Série B do Catarinense

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Placar final no Estádio Municipal. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

 

O São Bento segue subindo degraus na sua história recente. Há não muito tempo atrás, em 2012, o azulão estava afundado na A3 do Paulistão. No ano seguinte, com o título, veio uma série de acessos, culminando na atual vaga às oitavas da D. Restam duas fases para que mais um acesso se concretize e, para isso, o primeiro passo a ser dado é contra o JMalucelli, que eliminaria o Espírito Santo no domingo.

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Festa em Sorocaba. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Falando em JMalucelli, foi em Curitiba a nossa última parada antes de voltar a Florianópolis. A ideia era ficar em São Paulo e aproveitar melhor a empreitada, mas o jogo planejado para domingo, válido pela Liga Paulista, foi adiado para segunda-feira. Sendo assim, antecipamos nossa volta e, de quebra, colocamos o insólito Ecoestádio nos rumos d’O Cancheiro.

Ainda sobre Sorocaba, vale destacar a receptividade. Ao chegar no CIC, fui recebido por uma senhora que trabalha há décadas no clube e pelo diretor Denilson Monteiro, que, ao contrário do que ocorrera em Itu, foram extramente gentis. Após a partida, ainda ganhei materiais do São Bento, incluindo uma sensacional coleção de cards, do assessor de imprensa Jesus Vicente. Isso sem contar a hospedagem, em um hotel onde o senhor que nos atendeu, além de conceder um baita desconto, ainda passou horas contando suas histórias de jogador profissional e amador pelo interior do Rio Grande do Sul, em times como Gaúcho, Taguá, Guarany de Cruz Alta e Grêmio Ibirubá. Se o São Bento não subir e voltar a jogar a D em 2017 contra algum catarinense, provável que lá estaremos nós novamente. Fato é que a passagem por Sorocaba ficará marcada.

Ali perto, em Itu, o Linense não conseguiu segurar a vantagem e foi eliminado pelo Ituano

O destino de sábado, a princípio, seria Itu, onde Ituano e Linense brigariam pela vaga nas oitavas. O problema é que a partida de Sorocaba, marcada para domingo de manhã, foi antecipada para o sábado. De qualquer forma, aproveitei a viagem para visitar o Novelli Júnior e acompanhar os primeiros 25 minutos do confronto paulista pela D – seria todo o primeiro tempo, mas o Ituano, à la Terceirona do Catarinense, não havia providenciado uma equipe médica na ambulância, recorrendo às arquibancadas para encontrar uma médica e poder dar início ao jogo.

Ituano x Linense
Mal sabia ela que salvaria o Ituano de um vexatório WO. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Saindo de São Paulo, chegar em Itu é barbada. Uma horinha por auto-estradas sempre tão chatas. Somado à isso, bem capaz que eu pagaria uma nota em pedágios. Decidi ir pela Estrada dos Romeiros. De quebra, conheci o Estádio Municipal de Pirapora do Bom Jesus e ainda dei carona para um jogador de futebol amador de um time cujo nome bizarro não me recordo, da referida cidade à vizinha, Cabreúva. No caminho, ele foi contando todos os feitos do futebol piraporano, tais como receber as equipes juniores do Ituano e dos grandes paulistas para amistosos.

São Bento x Brusque8
Equipes perfiladas para, quase meia-hora depois, rolar a bola em Itu. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Ao chegar no Novelli Júnior, o qual já conhecia apenas pelo lado de fora, fui novamente bem recebido pelos membros da FPF, assim como fora em Santos e seria em Sorocaba. O problema é que, por uma má vontade absurda de um membro da diretoria do Ituano, sequer pude entrar para fazer as fotos posadas das equipes, mesmo explicando que ficaria nas arquibancadas durante a partida e que rumaria para Sorocaba no intervalo.

O pouco que vi em Itu foi um jogo aberto, com o Galo em busca do gol que o classificaria – a ida foi 2 a 1 para o Linense, em Lins -, e o Elefante chegando com perigo nos contragolpes e na qualidade de Thiago Humberto, mas nada de gol. O único tento da partida sairia apenas no começo da segunda etapa, em cobrança de pênalti de Wellington Simião, ex-Brusque e que muito figurou por aqui, na Segundona Catarinense do ano passado. Ao final, ainda ocorreria uma briga generalizada, repleta de cenas lamentáveis, mas, a essa altura, já nos encontrávamos em Sorocaba.

Linense
Jogo aberto nos primeiros 25 minutos, com chances para os dois lados. Nessa, Peixoto tentou colocado, mas mandou para fora. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Findada a empreitada por solo paulista, voltamos a tomar o rumo do Sul e, como antecipado, acompanhar mais uma partida da Série D: JMalucelli x Espírito Santo. Agora, a D segue com apenas um catarinense, o Inter de Lages, que disputa a vaga nas quartas contra o próprio Ituano, nos dias 14 e 21 de agosto. Chance de, enfim, relatar uma partida no genial Tio Vida.

Por aqui, seguimos dando voz para o futebol perdido, desde o amador até competições nacionais.

Abraço!

 

 

 

 

2 comentários sobre “São Bento vence Brusque pelo placar mínimo, segue adiante e acaba com o sonho quadricolor na Série D

  1. Texto muito bom, tão bom quanto sua aventura pelos estádios afora. Fico feliz em saber que foi bem tratado em Sorocaba, assim como o fomos em Brusque. A Série D tem nos brindado com a oportunidade de conhecer clubes, cidades e sua gente, com uma riqueza cultural que dá gosto. Parabéns!

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