Guarani bate São Gabriel no sufoco e chega ao oitavo jogo de invencibilidade

Buenas!

Dando prosseguimento às andadas pelo Rio Grande, descemos a Serra em direção à terra do mate: Venâncio Aires. O Índio local, Guarani, recebeu o São Gabriel pela 11ª rodada da Divisão de Acesso. A peleja foi disputada no histórico Edmundo Feix, palco de parte das três maiores conquistas rubro-negras, dignas de estrelas na camisa: o Estadual Amador de 1988, o Gauchão de 2002 e a Seletiva Sul-Minas do mesmo ano.

Esporte Clube Guarani (Venâncio Aires)
Eduardo; Michel, Nicolas, Luis Henrique e Urnau; Alexandre Lando, Wellington Monteiro, Henrique, Rodrigo Couto e Padilha; Rafinha. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Anderson; Thomas, Valdemar, Rogério e Luiz Felipe; Amaral, Márcio Reis, Michel e Marquinhos; Toto e Bahia. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Venâncio foi a segunda parada com bola rolando da jornada. Depois de deixar Flores da Cunha, onde acompanhamos a primeira partida oficial da Apafut em casa, passamos por Caxias do Sul, onde adentramos o gramado Jaconi e deixamos aquela figa para o Juventude vencer o Grêmio pela noite, e por Farroupilha, onde, se passando por argentinos, aplicamos um portunhol malandro para conhecer a cancha do Brasil. Tudo isso ao lado da única torcedora do América-MG em Santa Catarina Amanda Joenck, e do maior representante da cultura índia Brasil afora, o cancheiro Régis Nazzi.

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Trio composto por Tiago Clasen, Cássio Pires Dorneles e Fagner Bueno Cortes. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

A oportunidade de colocar essas duas esquadras simpaticíssimas na listinha não poderia ficar para depois. Para tanto, nos abdicamos de pegar o Chimatur e andamos cerca de 20 minutos até a cancha, sem, é claro, deixar de passar pelo Bar do Porquinho e tomar aquele trago da sorte. Ao chegar no Edmundo Feix, não pude deixar de notar a alma interiorana presente naquela cancha, algo raro de se encontrar lá para as bandas de Santa Catarina.

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A bela Venâncio Aires foi palco da segunda parada d’O Cancheiro pelo Rio Grande do Sul. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

O inquieto clima não saiu daquele chove e não molha. Fato que afastou parte da torcida índia. Mesmo assim, cerca de 500 viventes se aprochegaram nas três modestas arquibancadas do Feixzão e viram uma baita peleja. A pelota rolou às 15h30 como previsto e, já aos cinco minutos, Rafinha recebeu uma bela bola enfiada, cortou para dentro e rolou na medida para Padilha abrir o marcador.

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Comemoração do primeiro tento do Guarani. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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Os adeptos do Índio mal haviam se acomodado quando saiu o primeiro gol. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Em desvantagem, o São Gabriel passou a rondar a área e, em duas oportunidades seguidas de Bahia e Marquinhos, deu um baita trabalho para o arqueiro Eduardo. Enquanto mostrava uma postura ofensiva em busca do gol de empate, o time da terra dos marechais deixava o lado esquerdo de sua defesa desguarnecido. Foi por ali que Michel escapou aos 20 e só foi parado com falta. Na cobrança, Luis Henrique desviou o cruzamento de Rafinha e a bola sobrou para Rodrigo Couto se jogar de carrinho, empurrando-a para o barbante.

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Michel ia escapando pela direita quando foi derrubado por trás… (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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…depois de desvio de Luis Henrique, Rodrigo Couto apareceu no segundo pau para completar… (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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…e correr para o abraço! (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

O choque de realidade para o time que havia perdido apenas uma partida nas dez primeiras rodadas serviu para recolocar o São Gabriel na partida. Depois de tanto o treinador Gelson Conte espernear, o time se encontrou na defesa e tomou a posse da bola para si. Foi na base da insistência que Bahia marcou um chorado gol de desconto, com meia hora de partida; o 9 gabrielense arriscou de fora da área e contou com o um desviou da zaga para matar Eduardo.

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O Guarani ainda teve chances de fazer o terceiro. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Os últimos 15 minutos da movimentada primeira etapa foram extremamente pegados e discutidos, com muita reclamação de ambos os lados com a arbitragem que já mostrava sinais de um certo desnorteio. Dessa forma, o placar não se alterou e o intervalo chegou com uma boa vantagem do time da casa – que poderia ter sido maior, é verdade.

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Na ausência do médico do clube, o prefeito Airton Artus, do PDT, fez um bico na sua profissão de origem. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
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O gurizinho trocou os índios e foi trajado de Chapecoense para ver o Guarani. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Naturalmente o Guarani acabou recuando no começo da partida, dando margem para o São Gabriel dominar as ações e rodar bem a bola. Ao contrário da mudança no fardamento – a arbitragem também estava de laranja e isso gerou um certo desconforto na torcida local -, o time visitante seguiu jogando igual, tendo mais oportunidades, mas não encontrando meios de finalizá-las com perigo. O maior de todos os sustos aconteceu quando Paim roubou uma bola do volante Alexandre Lando e abriu para Márcio Reis; o meia pegou de trivela, a bola bateu na trave, mas costas do goleiro e ia de mansinho tomando o rumo do gol, quando Michel salvou em cima da linha.

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São Gabriel voltou com outro fardamento para o segundo tempo. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Assim como no primeiro tempo, o São Gabriel deu muito espaço na defesa. Deram cancha para o campeão mundial Wellington Monteiro, ele avançou e soltou um petardo de fora da área, passando perto da trave defendida por Anderson. Pouco depois, Rodrigo Couto recebeu bom passe de Rafinha e avançou livre, arriscando duas vezes em direção ao gol, mas invertendo as ações: na primeira, quando era para chutar, tentou dar a assistência, mas um zagueiro interceptou com a mão; na segunda, quando o próprio Rafinha pedia livre no meio da área, ele chutou sobre o goleiro. O lance causou a ira do seu companheiro, autor de duas assistências, e que logo após foi substituído.

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Rodrigo Couto em uma tentativa de devolver o presente de Rafinha. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

A essa altura, a arbitragem de Tiago Clasen já era bem contestada pelos mandantes. Faltas no meio de campo que teriam sido invertidas em favor do São Gabriel e o lance em que Rodrigo Couto quase fez o terceiro foram determinantes para a bronca generalizada – até o repórter da rádio local não escondia a sua insatisfação. E ainda o juizão conseguiu dar uma grande mancada, essa indiscutível, em um dos últimos lances da partida, quando um zagueiro amorteceu com o braço um chute de Matheus que tinha destino certo.

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Alguns guerreiros da tribo se fizeram presentes atrás da goleira. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

O único apito de Tiago Clasen comemorado pelos rubro-negros no segundo tempo foi o do final da partida. O 2 a 1 suado rendeu ao Índio o oitavo jogo de invencibilidade e a classificação matemática para a segunda fase – só uma conjuração catastrófica seria capaz de eliminar o Guarani, já que Pelotas e Santa Cruz precisam vencer todas suas partidas e o Galo reverter uma diferença de 14 gols no saldo. A liderança só não veio de brinde porque o Brasil venceu o Pelotas em casa e chegou aos 22 pontos, contra 21 de Guarani e São Gabriel.

No domingo, o Guarani pega a BR 287 em direção à vizinha Santa Cruz do Sul para enfrentar o Santa Cruz. O São Gabriel, na segunda-feira, volta a picar a mula, mas não vai muito longe, já que visita o Riograndense em Santa Maria.

Mais kodaks da peleja:

O Cancheiro, por sua vez, seguiu sua epopeia pelos campanários gaúchos. Só na sexta seguinte ao jogo em Venâncio, desbravamos o Vale do Taquari em busca de mais canchas perdidas. Pela manhã, visitamos os estádios da dupla Avecruz e o Amaro Cassep, onde o Riopardense mandava seus pegas. À tarde, o destino foi a antiga cancha onde o azulão Juventude jogava em Guaporé, passando antes por Lajeado, Estrela, Encantado e Muçum, com o seu genial Fortes e Livres.

Recuerdos das andadas pelo futebol esquecido do Rio Grande do Sul:

O próximo destino fica para o próximo capítulo dessa jornada, mas antecipo que não será tão alternativo como fora até agora.

Até logo!

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