Litoral massacra Curitibanos em típica partida da Série C catarinense

Sabe quando uma partida profissional está tão feia que a chamam de “várzea”. Pois bem, várzea seria um elogio para a peleia de estreia do Cancheiro na Série C do Campeonato Catarinense – aliás, toda a competição vem sendo disputada em um nível muito abaixo do futebol amador de Florianópolis, por exemplo. Para esse début, ainda que tardio, tomei o rumo sul da BR 101, mas dessa vez não fui tão longe, parando ainda na Grande Florianópolis, em Paulo Lopes. Lá, não custei muito a achar o Estádio Amadeu Moisés, palco do embate entre Curitibanos e Litoral, marcado para as 3 horas da tarde.

O Curitibanos/Paulo Lopes foi escalado com Daniel, Alessandro, Coronel, Anderson e Andinho; Embú, Vitinho, Pinto e Cezinha; Rafinha e Argentino. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
O Curitibanos/Paulo Lopes foi escalado com Daniel, Alessandro, Coronel, Anderson e Andinho; Embú, Vitinho, Pinto e Cezinha; Rafinha e Argentino. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
A equipe do litoral norte entrou em campo com Rodolfo Fagundes, Leonardo, Lucena, Rosseto e Rodrigo; Henrique, Rodolfo, Victor Hugo e Arisson; André Neles e Yan. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
A equipe do litoral norte entrou em campo com Rodolfo Fagundes, Leonardo, Lucena, Rosseto e Rodrigo; Henrique, Rodolfo, Victor Hugo e Arisson; André Neles e Yan. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Trio de arbitragem composto por Jayson Giorgio Bernardi, André Eduardo da Silveira e Alexandre Bittencourt. Jaison da Silveira foi o quarto árbitro. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Trio de arbitragem composto por Jayson Giorgio Bernardi, André Eduardo da Silveira e Alexandre Bittencourt. Jaison da Silveira foi o quarto árbitro. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Mal coloquei os pés dentro da cancha e já percebi o que estava rolando: mais um caso de atraso por falta de ambulância (rodadas antes, o jogo entre Fluminense e Jaraguá quase que não aconteceu por questão de segundos). Fiz minhas fotos da arbitragem, do aquecimento e dos times posados, bati um papo com funcionários dos dois times e com o Alex Benício, torcedor do simpático Grêmio Cachoeira, mas nada de bola rolando. Havia passado mais de meia hora e nem sinal da ambulância. O presidente do Curitibanos, já puto da cara com a situação, não queria mais saber do jogo e cogitava abandonar tudo, sem colocar o time para jogar, já que “perder por WO é mais barato”. Enquanto isso, jogadores e técnico pediam calma e aguardavam pacientemente a chegada dos profissionais da saúde. Eis que, quando eu já cogitava sair e ir até Garopaba acompanhar uma peleia do amador de lá, surge a ambulância, faltando exatamente 45 SEGUNDOS para o horário limite da partida (16 horas, uma hora após o marcado). Como aquele gol suado que sai aos 49 do segundo tempo, a chegada da viatura médica foi comemorada efusivamente pela torcida presente – cerca de 30 viventes.

Uma hora de espera para a bola rolar. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Uma hora de espera para a bola rolar. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Eis o lance mais comemorado da partida: a chegada da ambulância, para fazer a bola, até então parada, finalmente rolar. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Bola parada aguardando a chegada da ambulância para rolar. Esse momento foi, sem dúvidas, o lance mais comemorado da partida. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Nem parecia verdade, mas teríamos um jogo naquela bonita tarde de domingo em Paulo Lopes. O Curitibanos vem com uma campanha que só é melhor que, naturalmente, a do Maga e uma goleada do Litoral não seria nenhuma surpresa, já que o time de Penha/Itajaí vem brigando pela ponta da competição. Dessa forma, a bola rolou e gol do Litoral. Logo depois, gol do Litoral. Rola a bola novamente e gol do Litoral. Com 20 minutos, o placar já apontava 3 a 0 para os visitantes. O primeiro saiu dos pés de André Neles – sim, o “Balada” -, que avançou sozinho e bateu rasteiro. O segundo saiu após Rodolfo fazer uma baita jogada, entre dois marcadores, e só rolar para André Neles, sozinho, dominar, escolher o canto, pensar e marcar novamente. Aos 20, foi a vez de Yan chutar e o goleiro Daniel rebater uma bola em cima do lateral Andinho, fazendo ela morrer dentro das próprias traves. E olha que, sem exagero, já era para estar uns 6 a 0, isso porque Victor Hugo já havia acertado o travessão e o juizão Jayson Giorgio Bernardo ignorado dois pênaltis.

André Neles não perdoa. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
André Neles não perdoa. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Goleiro Daniel teve que se virar para evitar um massacre maior. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Goleiro Daniel teve que se virar para evitar um massacre maior. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Durante a primeira etapa, fiquei posicionado ao lado da casamata do Curitibanos, sendo obrigado a escutar as lamentações do presidente do clube, um senhor com pinta e sotaque típicos do interior catarinense. Foram várias as frases proferidas por ele, entre elas, algumas geniais merecem destaque:

“Vamos tacar fogo nesse material, não tem mais time.”

“Esse cara não joga merda nenhuma, não sei porque fica sujando material.”

“Ei juiz, acaba esse jogo, se for WO pelo menos acaba como tá: 3×0.”

“Não dá mais, a gasolina tá cara e não adianta pagar para esses caras jogarem.”

“O guri tem que se tocar que não dá mais para ser jogador, tem que pedir pra sair.”

É óbvio que tais frases não representam de fato o que o presidente pensa sobre sua equipe, visto que elas foram faladas de cabeça quente, durante o passeio da equipe adversária, mas é inegável que valem pela bizarrice do contexto em que estavam inseridas.

Equipe do Curitibanos não conseguia sair jogando, para desespero de seu presidente, que não parava de se queixar. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Equipe do Curitibanos não conseguia sair jogando, para desespero de seu presidente, que não parava de se queixar. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Com o 3 a 0, o Litoral tirou o pé e cedeu algumas chances para o Curitibanos, como a cabeçada de Cezinha, aos 33, que passou perto da trave defendida por Rodolfo. Não muito tempo depois, aos 42, o quarto gol finalmente saiu, após cobrança de falta do bom camisa 10 Arisson e cabeçada certeira do zagueirão Rosseto. Dois minutos depois, Rosseto quase marcou outro, novamente em cobrança de falta de Arisson, mas dessa vez o goleiro Daniel estava lá para operar um milagre e evitar o quinto.

Maqueiros improvisados momentos antes da partida. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Maqueiros improvisados momentos antes da partida. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Cobrança de falta de Arisson, que resultou no quarto gol dos visitantes. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Cobrança de falta de Arisson, que resultou no quarto gol dos visitantes. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Logo após o intervalo, o lateral Alessandro, do Curitibanos, deu um carrinho lamentável em um adversário e foi expulso. Já na cobrança da falta, o zicado Victor Hugo novamente acertou a trave, mas a bola sobrou para o matador André Neles fazer uma das coisas que mais sabe: meter gol. Foi o terceiro do outrora André Balada, o que renderia a outra coisa que ele mais sabe fazer atualmente: música – ele já compôs mais de 100 músicas gospel e tem três CD’s lançados! Cheguei a pensar em perguntar uma música para ele, para postar aqui, mas sejamos sensatos e deixemos o André apenas com seu lado futebolístico…

André Balada, aquele mesmo que eu tenho vagas lembranças no Inter de 2003, marcando hat-trick. Que dia inesquecível para O Cancheiro! (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
André Balada, aquele mesmo que eu tenho vagas lembranças no Inter de 2003, marcando hat-trick. Que dia inesquecível para O Cancheiro! (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Na segunda etapa, o Litoral tirou o pé um pouco mais cedo do que no primeiro tempo. Com um a mais e o 5 a 0 a favor, estava pintando um placar com 10 ou mais gols. Entretanto, por incrível que pareça, quem esteve mais próximo de marcar foi o Curitibanos. Na primeira boa oportunidade, Rafinha quase fez um golaço de voleio. Andinho, na sina de compensar seu gol contra, fez fila na defesa do Litoral, acreditou, se empolgou, iria fazer um golaço à la Maradona, mas chutou mal. Aparentemente, os visitantes haviam cansado e estavam satisfeitos com o placar. Quem também quase descontou foi o camisa 10 Cezinha, o melhor do Curitibanos na partida, que por pouco não aproveitou uma falha do goleiro reserva Edson – arqueiro titular do Litoral foi substituído no intervalo.

Cezinha foi um dos únicos que se salvaram por parte do time da casa. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Cezinha foi um dos únicos que se salvaram por parte do time da casa. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Litoral cansou de perder gols no segundo tempo. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Litoral cansou de perder gols no segundo tempo. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Mas quem não faz toma e clichês se aplicam até para quem está tomando 5. Faltando 3 para o apito final, o Litoral vinha trocando passes e, após uma bonita triangulação, Careca cruzou para Rodolfo marcar o sexto. Tava bom né?! O árbitro mal esperou os 45 regulamentares e encerrou o baile da equipe do litoral norte.

E olha que, se não fosse o goleiro Daniel, o estrago seria ainda maior. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
E olha que, se não fosse o goleiro Daniel, o estrago seria ainda maior. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

É a segunda goleada seguida sofrida pelo Curitibanos/Paulo Lopes. A equipe rubro-verde vem de outro massacre: 7 a 2 para o Fluminense, em Joinville. Já o Litoral chega aos 9 pontos e fica a apenas 1 do líder e vizinho Barra, que tem um jogo a menos, o que seria realizado nesse domingo contra o Caçadorense, clube desistente. O líder volta a campo contra o próprio Curitibanos – outra goleada pintando? -, enquanto o Litoral recebe o Santa Catarina na próxima rodada.

Mais fotos do baile em Paulo Lopes:

O Cancheiro fica por aqui com essa rodada dupla desse final de semana e já adianta que tem muita decisão por vir na próxima semana, com destaque para a finalíssima do Municipal de Florianópolis, entre Campinas e Grêmio Cachoeira.

Até lá!

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