Hercílio Luz perde oportunidades e cede o terceiro empate seguido ao Brusque

E O Cancheiro segue espalhando a má sorte pelos gramados de Santa Catarina!

Mais uma vez saí do estádio sem ter visto a torcida da casa comemorar a vitória. A “vítima”, nessa quarta (dia 22), foi o Hercílio Luz, que recebeu o Brusque. Dois times de tradição (o do sul bicampeão catarinense em 1957 e 1958 e o do vale campeão em 1992), mas que se enfrentaram pela Segundona, em jogo válido pela 11ª rodada.

O time da casa entrou em campo com Eduardo Castro; Felipe Felix, Baggio, Claiton e Zadda; Junior Gaúcho, Sorato, Italo e Guthere; Rony e Kauhan. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
O time da casa entrou em campo com Eduardo Castro; Felipe Felix, Baggio, Claiton e Zadda; Junior Gaúcho, Sorato, Italo e Guthere; Rony e Kauhan. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
O jogo do primeiro turno, no Vale do Itajaí, terminou 2 a 0 para o Brusque. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
O jogo do primeiro turno, no Vale do Itajaí, terminou 2 a 0 para o Brusque. Para o returno, o Marreco entrou com Wanderson; João Neto, Rogélio, Cleyton e Flavinho; Mineiro, Carlos Alberto, Paulinho e Wellington Simião; Tony e Eydison (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Chegando em solo tubaronense, depois de passar por Criciúma e ter acompanhado a eliminação do Tigre (leio o relato abaixo), dei uma pernada da rodoviária, passando pelo despovoado centro, até chegar no Aníbal Torres Costa. Cheguei lá com bastante antecedência e dei uma passada na loja, onde adquiri a bonita camisa colorada. Logo após, fui conduzido até o gramado e conheci o gentil assessor de imprensa Luiz Henrique Fogaça.

Árbitro Ramon Abatti Abel, que já jogou nas categoria de base do Hercílio, com os auxiliares Alexandre Medeiros Lodetti e Elen Carolin Portal Sieglitz e os capitães Eydison, do Brusque, e Daniel, do Hercílio Luz. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Árbitro Ramon Abatti Abel, que já jogou nas categoria de base do Hercílio, com os auxiliares Alexandre Medeiros Lodetti e Elen Carolin Portal Sieglitz e os capitães Rogélio, do Brusque, e Baggio, do Hercílio Luz. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Dentro da cancha, me surpreendi com a baita estrutura que o Leão do Sul tem disponível. Apesar disso, faz 20 anos que eles não disputam a elite estadual. Com 10 rodadas disputadas, o Hercílio Luz tinha 13 pontos e parecia que ia bater na trave novamente. Situação diferente da que vive o Brusque, o time mais ioiô de Santa Catarina. Depois do traumático descenso do ano passado, o quadricolor montou um belo elenco para a Série B, mas não vem obtendo bons resultados. Nos dois últimos jogos, por exemplo, empatou com o Atlético Tubarão, ficando na vice-liderança (confira o relato do jogo no sul aqui e no vale aqui).

O Hercílio sabia da importância dessa partida para poder entrar de vez na briga pelo tão sonhado acesso. Por isso, exerceu uma baita pressão nos primeiros minutos, impedindo o adversário de respirar. Lá pelas tantas, o Brusque se encontrou em campo, começou a gostar da partida e passou a explorar o lado esquerdo da defesa hercilista, com boas chegadas de João Neto. Para oferecer perigo ao goleiro Eduardo Castro, o Marreco parece que finalmente entendeu o recado da torcida e passou a finalizar sempre que pintava a oportunidade. Foi assim que, em chutes de Wellington Simião, Mineiro e Carlos Alberto, o quadricolor passou perto de abrir o marcador. “É isso aí, tem que chutar” instruía o goleiro Wanderson. Ainda antes do intervalo, a resposta do mandante veio um chute rasteiro de Felix. Mas nada de rede balançando.

O primeiro tempo, desprovido de fama emoção, foi compensado por uma interessante segunda etapa. Ainda no intervalo, o Hercílio faz duas substituições: o goleiro Eduardo Castro, com dores nas costas, deu lugar para Diego e Daniel Ferreira entrou no lugar de Guthere. Com apenas 6 minutos de bola rolando, o lateral Felix soltou um foguete cruzado, que explodiu no poste e foi se acomodar dentro da meta do arqueiro Wanderson, que nada pôde fazer. “Se fosse para o Brusque, a bola batia na trave e ia para fora” lamentou o pessimista Matheus Paraná durante o aquecimento.

Kauhan, para o desespero de seus companheiros, deu uma de Loco Abreu e cobrou o pênalti de cavadinha na trave. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Kauhan, para o desespero de seus companheiros, deu uma de Loco Abreu e cobrou o pênalti de cavadinha na trave. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Mas o lance capital da partida viria logo depois. Kauhan apareceu livre na frente de Wanderson, que, após ser driblado, cometeu pênalti claríssimo e foi amarelado pelo árbitro, apesar da jogada ser passível de expulsão. Na cobrança, o próprio Kauhan inventou de bater de cavadinha – mete o pé guri, o time precisava do resultado -, a bola bateu no travessão e voltou para ele mesmo completar para as redes. A cobrança foi prontamente anulada pela arbitragem, para indignação total de maioria da torcida sulista que não havia entendido nada. O Cancheiro explica: a trave é neutra e se a bola bater nela e voltar para o próprio cobrador é considerado dois toques do mesmo, anulando a jogada.

O curioso lance, de fato, mudou completamente o rumo da partida. O Hercílio, com domínio do segundo tempo até então, se abateu e cedeu toda a cancha para o Brusque trabalhar a pelota. O cenário nada favorável ao Marreco se inverteu, rendendo o empate aos 26 minutos. Foi quando o grande João Neto, dono de uma baita atuação, fez a jogada pela direita e cruzou rasteiro para o matador Eydison completar de forma primorosa para as redes. E não parou por aí. Menos de 10 minutos depois, João Neto – o mito, sempre ele – roubou a bola, avançou com velocidade e repetiu a jogada do gol: cruzou rasteiro para Eydison finalizar, mas, dessa vez, ela passou beliscando o travessão.

Eydison deu o toquinho para o gol e saiu para comemorar com os reservas que aqueciam atrás do gol. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
Eydison deu o toquinho para o gol e saiu para comemorar com os reservas que aqueciam atrás do gol. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Com o melhor momento em campo, o contestado Leandro Campos passou a empilhar atacantes, mas esqueceu que a bola precisa passar pelo meio-campo para chegar ao ataque. Sendo assim, o Brusque continuou explorando as jogadas pelas laterais, mas sem muito sucesso. Apesar do domínio no ataque e da iminência de virar a partida, a defesa brusquense parecia que estava em outra sintonia e passou a dar uma emoção a mais para a partida, recuando bolas perigosas para Wanderson, que, como sabemos, possui maior domínio com as mãos do que com os pés. O guarda-redes do quadricolor – ou pentacolor, já que ele vestia uma linda camisa azul – soube se virar bem e garantiu o empate para os visitantes.

Já é o terceiro empate seguido do Brusque. O time, apontado como um dos favoritos, vem fazendo uma campanha mediana, muito abaixo do esperado, e desperdiçando pontos importantes. Para o Hercílio, deve ter ficado o gosto amargo de estar próximo da vitória e de ter jogado dois pontos fora, muito por causa daquele pênalti esbanjado. Para a torcida, a culpa também foi da arbitragem, por não ter expulsado o goleiro adversário no lance da penalidade.

Para Leandro Campos, a culpa é sempre da imprensa.
Para Leandro Campos, a culpa é sempre da imprensa: “Tão se criando factoides que podem destruir o trabalho”. Essa talvez seja a última foto dele no comando do Brusque, já que Mauro Ovelha assume nessa sexta. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Reclamações e decepções à parte, o fato é que o resultado ajudou a embolar ainda mais a classificação da Segundona. Quem esperava que alguns times despontassem e o campeonato já estivesse decidido a essas alturas se iludiu completamente. Faltando 6 rodadas, todos os 9 times ainda têm reais chances de disputar o Delfinzão do ano que vem.

Para ilustrar o equilíbrio dessa Série B, confira a classificação, após 11 rodadas, e os outros resultados desse meio de semana:

Camboriú 4×1 Operário de Mafra
Concórdia 1×1 Atlético Tubarão
Juventus de Seara 5×0 Porto

Atlético Tubarão – 20
Juventus de Jaraguá – 19 (6v)
Camboriú – 19 (5v)
Brusque – 18
Juventus de Seara – 17
Operário de Mafra – 15
Hercílio Luz – 14 (4v)
Concórdia – 14 (3v)
Porto – 12
Blumenau – -9 (rebaixado)

Um dia antes, quem se deu mal em casa foi o Criciúma

Como havia previsto no último post, a passagem pelo sul reservava outra cancha nova azarada por aqui: o Majestoso Heriberto Hülse. Lá, pela Copa do Brasil, Criciúma e Grêmio buscavam uma vaga nas oitavas-de-final. Com o sonho de repetir o feito de 1991, quando o Tigre foi campeão da mesma copa contra o próprio Grêmio, os catarinenses fizeram uma partida quase perfeita em Porto Alegre e trouxeram o 1 a 0 a favor para a partida em Santa Catarina.

Acompanhado do Matheus, do genial Desprovidos de Fama, e de seu amigo Giovane, me posicionei atrás do gol, ao lado da banda carvoeira. De lá, assisti um Criciúma nervoso, criando boas chances, mas se precipitando nas finalizações. O tricolor gaúcho, com toda a sua expriência em figuras como Douglas e Giuliano, marcou um golzinho ainda no primeiro tempo, com Pedro Rocha. Mas ficou nisso, levando a disputa para os tiros da marca da cal.

Com cobranças perfeitas e duas defesas do monstro Marcelo Grohe, quem passou para as oitavas foi o Grêmio, para total decepção da torcida que encheu o Majestoso – certo que tinha muito mais do que 9700 torcedores, como foi divulgado. Sobrou para o goleiro Luiz bater e errar a decisiva penalidade, mas, mesmo assim, ser ovacionado pela torcida que o adora. Sabe-se lá a reação da torcida se fosse outro jogador que errasse…

De trás do gol, ao lado da inigualável torcida Os Tigres, acompanhei a triste eliminação do Criciúma. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)
De trás do gol, ao lado da inigualável torcida Os Tigres, acompanhei a triste eliminação do Criciúma. (Foto: Lucas Gabriel Cardoso)

Com essas duas partidas no sul de Santa Catarina, já são 11 jogos aqui n’O Cancheiro, com 5 vitórias dos visitantes e 6 empates, mantendo o tabu de eu jamais ter relatado a vitória de um mandante. Outra curiosidade é que, em 4 jogos que eu vi do Criciúma, foram 4 derrotas. Nem a invencibilidade de Petkovic no comando carvoeiro conseguiu resistir.

Agora, sigo ainda mais em direção ao sul, deixando o território barriga-verde e levando toda a minha negatividade para as canchas do Rio Grande do Sul. Já no próximo final de semana, teremos dois times novos por aqui, representando o futebol bagual disputado lá pelas bandas dos pampas.

Tamoio, Aimoré, União Frederiquense, Gaúcho, Estância Velha e muito mais. Fique ligado que tem muita novidade por vir n’O Cancheiro!

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